Levantamento da Ativaweb Datalab mostra que escândalo furou a bolha e já se tornou assunto nacional, inclusive com memes sobre corrupção

Priorize VEJA no Google Dados da mais nova pesquisa da Ativaweb Datalab sobre o movimento das redes sociais nos últimos sete dias levantam um alerta ao STF.

Comandada pelo ministro Edson Fachin, a Corte está no centro de uma das piores crises de imagem de sua história, com forte rejeição em todas as redes sociais — Instagram, X, Facebook, TikTok e YouTube — analisadas pelo levantamento.

O motivo da crise é a revelação do relatório da Polícia Federal com as mensagens enviadas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. No documento, o dono do Banco Master, investigado por fraudes bilionárias na República, pede que o ministro do STF atue para barrar investigações e influencie o chefe da PGR, Paulo Gonet, e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a bloquear investigações e operações policiais contra ele.

“Ao longo da semana, parte da crítica deixou de se concentrar apenas nos personagens e passou a atingir o STF, o Supremo, ministros e o Judiciário. Esse deslocamento pode ser classificado como transferência reputacional: o desgaste de indivíduos começa a contaminar a percepção da instituição à qual estão vinculados”, diz o estudo.

Segundo o levantamento, o escândalo gerou, entre 31 de agosto e este 7 de setembro, 62,4 milhões de menções relacionadas a Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro, STF e o Banco Master em todas as redes sociais. Nesse universo, 90% do conteúdo foi crítico — 55 milhões de interações — aos envolvidos e cerca de 10% foram sobre notícias e conteúdos jornalísticos.

“Moraes virou o centro da pressão, Vorcaro virou personagem e o STF passou a absorver parte do desgaste”, diz o estudo.

Dentro da classificação consolidada, não foi identificado volume estatisticamente relevante de apoio a Moraes, Vorcaro ou Banco Master.

“O achado mais forte não é apenas chegar a 62 milhões. É chegar a 62 milhões com quase 90% da conversa classificada no campo da crítica”, diz o CEO da Ativaweb Alek Maracaja.

O movimento também ganhou uma característica tipicamente brasileira: 1.878.321 comentários foram classificados com tom de humor, ironia ou meme, sobretudo sobre a vida de luxo de Vorcaro, patrimônio, festas e a percepção de que “todo mundo ganhou dinheiro, menos eu”.

“Alexandre de Moraes aparece como um dos maiores centros reputacionais da crise. Seu nome foi associado de forma recorrente a Vorcaro, Banco Master, STF, investigação, afastamento, impeachment e 7 de Setembro. Essa combinação de alto volume, negatividade e repetição aumenta o risco de sedimentação reputacional”, diz o estudo.

Para a Ativaweb DataLab, esse é um achado importante porque mostra que a crise deixou de circular apenas entre especialistas, políticos e jornalistas. Quando um caso vira meme, ele rompe a bolha institucional e entra na cultura cotidiana das redes.

“Quando uma crise jurídica vira meme, ela deixa de ser apenas institucional. Ela entra na memória popular”, segue Maracajá

Outro dado chama atenção para a persistência do fenômeno. Até sexta-feira, o monitoramento já somava 57.567.122 registros.

No domingo, o volume ultrapassou 62,4 milhões, com quase 4,9 milhões de novas ocorrências e interações adicionadas ao estoque anterior.

A leitura é clara: não foi um viral de algumas horas, mas uma semana inteira de aceleração, repetição e pressão reputacional, com a associação de Moraes e Vorcaro funcionando como um dos principais corredores narrativos da crise que envolve o STF.

O caso Master e a forma como o Supremo vai lidar com as provas envolvendo um de seus integrantes pode impactar a corrida eleitoral, como mostram as mensagens. Candidatos identificados com os personagens da crise podem perder votos.

“Audiência não é voto. Mas 62 milhões de ocorrências mostram com clareza onde estava concentrada uma parte importante da atenção política brasileira nesta semana”, diz o estudo.