Governo bloqueou 27 plataformas, mas usuários acessam mercados preditivos por VPN e criptomoedas; Copa amplia volume.

O governo brasileiro bloqueou 27 plataformas de mercados preditivos em abril para impedir a expansão de um modelo de apostas sem controle no país. O segmento, que cresceu globalmente nos últimos anos, desafia autoridades por operar fora da regulamentação das bets e por permitir palpites pagos sobre temas como eleições, guerras, mudanças climáticas e competições esportivas.

Os mercados de predição funcionam como uma espécie de bolsa de apostas sobre eventos futuros. Usuários compram e vendem contratos baseados em perguntas de resposta simples, como se determinado fato vai acontecer ou não, e ganham dinheiro se o resultado escolhido se confirmar.

A diferença em relação às casas de apostas tradicionais está na estrutura da operação. Nas bets, a empresa define regras, calcula as odds e paga os prêmios; nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si, e os contratos acabam tratados como derivativos, instrumentos financeiros vinculados ao valor futuro de um evento.

As plataformas ganharam tração nas eleições dos Estados Unidos em 2024, depois que uma disputa jurídica permitiu ao Kalshi oferecer palpites sobre os vencedores daquele pleito. Desde então, o setor passou a movimentar bilhões de dólares e acumulou restrições e polêmicas, incluindo temores de uso de informações privilegiadas em apostas ligadas a ações dos EUA no Irã e na Venezuela; uma aposta sobre uso de armas nucleares em 2026 saiu do ar após reação negativa.

Na Copa, esses mercados oferecem palpites semelhantes aos das bets, como artilheiro e vencedor do torneio, mas também abrem contratos personalizados. Houve apostas sobre Neymar entrar ou não em campo e até sobre as chances de Cristiano Ronaldo chorar em público durante a competição; a casa de análises Bernstein estimou no começo do torneio que esses mercados poderiam movimentar US$ 10 bilhões em apostas ligadas à Copa, e apenas o Kalshi já tinha negociado cerca de US$ 850 milhões no mercado de campeão no início de julho.