(Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre tecnologia no podcast Deu Tilt. O programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL, no Spotify, no Deezer e no Apple Podcasts. Nesta semana:Meta Glasses; 'Bug do Milênio'; dedurando

Ouvir1×0.5×0.75×1×1.25×1.5×1.75×2×(Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre tecnologia no podcast Deu Tilt. O programa vai ao ar às terças-feiras no YouTube do UOL, no Spotify, no Deezer e no Apple Podcasts. Nesta semana:Meta Glasses; 'Bug do Milênio'; dedurando a IA; você dorme, o Chat trabalha; Brasil vence EUA em IA)

A Meta conseguiu fazer dos seus óculos inteligentes o seu dispositivo de maior sucesso a ponto de rivais correrem para lançar aparelhos concorrentes, mas acendeu um alerta: a possibilidade de filmar e fotografar pessoas ao redor sem que percebam.

No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes explicam por que a Meta conseguiu criar um produto que Google, Snap e outros tentam, mas não conseguiram emplacar.

A Meta conseguiu fazer com que o produto dela desse certo por quatro coisinhas. O primeiro é a estética e a aceitação social. Ela fez uma parceria com a Ray-Ban, da Luxottica, para fazer um óculos com cara de óculos. O segundo ponto é o escopo tecnológico: em vez de telas e realidade aumentada, ela simplificou e você interage com voz. O terceiro é distribuição: rivais vendiam por US$ 1.500; os óculos da Meta saem por US$ 300. O quarto é o software: antes a inteligência artificial não estava madura para um assistente de voz identificar o ambiente. Hoje isso é possível. Tanto que a Meta vendeu, nos últimos anos, 9 milhões de unidades.Helton Simões Gomes

Os óculos da Meta nasceram com foco em lentes escuras, mas passaram a ter opções de armação para lentes de grau. Além disso, combina assistente de IA, câmeras e áudio por condução óssea.

Ele tem uma série de funcionalidades: você passa a ter um ambiente mais interativo. Tem, hoje, a conexão com o Meta AI, então pode conversar com a inteligência artificial, perguntar coisas, dar comando. Tem um conjunto de câmeras: você pode fotografar, filmar, sem a necessidade de pegar seu smartphone. Ele também tem um fone por condução óssea, então você escuta pela própria haste, sem estar com o ouvido tampado. Isso é útil em ambientes em que você precisa escutar a realidade, como ciclistas no trânsito.Diogo Cortiz

Diversos usos já apareceram na prática, como apoio a pessoas com deficiência visual em tarefas do dia a dia, gravação de treinos esportivos com as mãos livres, tradução simultânea e registro de notas em áudio em rotinas profissionais.

Mas a popularização do aparelho no cotidiano -metrô, restaurante, shopping— muda o centro da discussão. Para Cortiz, a fricção para gravar alguém cai muito quando a câmera está no rosto, e isso tende a normalizar filmagens sem aviso.

Agora a gente tem que entender esse fenômeno quando as pessoas estão usando no dia a dia, no metrô, num restaurante, num shopping, em que ela pode estar tirando fotos ou filmando o tempo todo. Isso traz um desafio enorme. A Meta traz alguns contornos: tem a luzinha, o LEDzinho que fica aceso quando está filmando, e eles falam que é inviolável. Só que a gente vê casos em que conseguiram desativar isso por meio de hacks, ou mesmo para tirar uma foto rápida. Isso vai trazer uma perturbação.Diogo Cortiz

O incômodo rendeu um apelido indigesto ao aparelho, que passou a ser chamado de "óculos do tarado", justamente pelo risco de gravações discretas.

Para Helton, a Meta paga pela desconfiança acumulada em torno de violações à privacidade em plataformas como Facebook e Instagram. O ceticismo respinga até em campanhas com celebridades e influenciadores que promovem os óculos.

O sucesso comercial, por outro lado, acelerou a reação de rivais. O Google retomou planos após o revés do Google Glass, a Apple tenta levar sua estratégia para algo mais cotidiano do que o Vision Pro, além de movimentos de Samsung e fabricantes chinesas.

O episódio também cita falsificações e versões mais baratas, como o "Ray-Ban Meta da Shopee". Esses modelos possuem limitações que intensificam o debate sobre privacidade, como a ausência de luz indicadora ao gravar.

Para Cortiz, a disputa pelo formato que vai virar a nova interface para interagir com inteligência artificial ajuda a explicar a corrida por óculos conectados. Enquanto isso, a sociedade precisará discutir segurança, privacidade e regras de uso.

Plataformas que antes surfavam o hype da inteligência artificial agora correm para frear a avalanche de conteúdo sintético -ou, no mínimo, avisar quando há "dedo da IA". No novo episódio de Deu Tilt, o podcast do UOL para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz explicam por que redes sociais, streamings e até serviços de mapas passaram a sinalizar o que foi feito por máquina.

A corrida global da inteligência artificial costuma girar em torno de chips, modelos e dinheiro, com Estados Unidos e China no centro da disputa. Mas Brasil e América Latina aparecem bem em outro marcador: entusiasmo e adoção.

Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube do UOL e nas plataformas de áudio. Assista ao episódio da semana completo.