Metrô de SP aposenta de vez bilhete magnético após mais de 50 anos
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30.ago.2026 às 10h00
Em setembro de 1974, paulistanos curiosos com o revolucionário transporte público a ser inaugurado no dia 14 daquele mês, tinham a oportunidade de conhecer o metrô. Para circular pelas estações, porém, precisavam passar um cartão magnético pelas catracas, mesmo sem cobrança de tarifa pelo fato de aquela ser uma fase de "treinamento para a população", como rotulado na época.
Esses bilhetes em papel-cartão gratuitos foram substituídos pelos pagos quando os trens começaram a rodar de verdade —o modelo marrom, de 1974, tinha a singela mensagem "economize gasolina". Ao longo do tempo vieram cerca de três dezenas de outros, mas agora acabou. A partir de novembro, não passarão mais pelas poucas catracas que ainda os aceitam.
O Edmonson, como esses cartões magnéticos são chamados —em homenagem ao sistema criado pelo inglês Thomas Edmondson no século 19— finalmente vai se aposentar.
Segundo o Metrô, em julho passado foi estipulado internamente um prazo de 90 dias, que vence em 31 de outubro, para os passageiros que ainda contam com eles usarem os bilhetes.
Depois disso, os usuários ainda poderão trocar os remanescentes até janeiro de 2027 em postos de atendimento específicos que serão definidos.
Os bilhetes magnéticos estavam praticamente aposentados desde 2021, quando deixaram de ser fabricados com a implantação de tecnologias digitais, como leitura de QR code. Mas em março do ano passado, funcionários da companhia estatal acharam um lote com oito milhões de unidades, que acabou colocado à venda.
Esse estoque deixou praticamente de circular em junho passado, diz Anísio Oliveira Silva, 67, coordenador de Arrecadação e Comercialização do Metrô.
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Segundo ele, 6,5 milhões desses bilhetes entraram no sistema. Os outros 1,5 milhão podem ter ficado com pessoas que guardaram os objetos como recordação e que se ainda quiserem usar, terão de correr contra o tempo.
Esses milhões de cartões estão sendo fragmentados em uma máquina no pátio do Metrô em Itaquera, na zona leste de São Paulo —nesta quinta-feira (27), quando a reportagem esteve ao local, havia ao menos uma tonelada desses papéis picados prontos para serem enviados à reciclagem.
Ficaram algumas poucas unidades para preservação. Anísio começou a trabalhar no metrô há 44 anos justamente na bilheteria, ou seja, vendia os cartões, onde ficou por dois anos. Hoje ele é responsável por manter um acervo. Todos os modelos, desde os de treinamento até o último tipo a ser confeccionado em 2007 (e que continuou sem mudanças até 2021), estão guardados em pastas catalogadas por ele.
"Isso aqui é um passo a passo da vida do metrô", diz o funcionário, que conhece como poucos a história da evolução desses bilhetes magnéticos.
Lembra, por exemplo, quando a companhia encomendou para o fornecedor argentino, que havia ganhado a concorrência para confecção dos bilhetes, um lote comemorativo aos 30 anos de circulação dos trens, em 2004. No caminho do aeroporto até a sede da empresa no centro de São Paulo, a carga foi roubada e nunca chegou às mãos dos passageiros.




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