Em suas primeiras declarações desde que o estado de Tennessee, nos Estados Unidos, fracassou na tentativa de executá-la no mês passado, Christa Pike disse que sentia dores constantes e que vinha sendo mantida praticamente em isolamento. Leia mais (10/30/2026 - 13h50)

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30.out.2026 às 13h50

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Nashville (EUA) | The New York Times

Em suas primeiras declarações desde que o estado de Tennessee, nos Estados Unidos, fracassou na tentativa de executá-la no mês passado, Christa Pike disse que sentia dores constantes e que vinha sendo mantida praticamente em isolamento.

"Não houve um único momento desde aquela noite em que eu não tenha sentido dor", afirmou ela, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (30). "Meu corpo dói. Meus braços doem. Minhas mãos doem. Minha garganta dói. Ainda tenho dificuldade para falar."

Pike, 50, foi condenada à morte pelo assassinato, em 1995, de Colleen Slemmer, uma colega de turma de 19 anos em Knoxville, no Tennessee.

Pike, então com 18 anos, foi uma dos três estudantes que atraíram Slemmer até uma área de mata, golpearam-na com um estilete e a espancaram.

No comunicado, que ditou à sua equipe jurídica, Pike disse que estava preparada para morrer na manhã de 30 de setembro. Ela havia se despedido de seus entes queridos. Disse às pessoas na câmara de execução que partia deixando-lhes "amor e bondade".

Mas, então, acordou sozinha, confusa e com dor, segundo o comunicado. Ela foi a primeira pessoa a sobreviver após receber uma dose letal do medicamento pentobarbital.

"Eu não havia imaginado uma vida depois daquela noite", disse Pike. "E estou profundamente abalada com a incompetência que colocou tantas pessoas nessa situação terrível."

Ela acrescentou: "Estou tentando encontrar um sentido para o que aconteceu comigo".

A mãe de Slemmer, May Martinez, era favorável à execução e rejeitou as manifestações de remorso de Pike ao longo dos anos. Pike disse que estava pensando na família de Slemmer e "na terrível dor e perda que eles suportaram".

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A tentativa de execução, inicialmente adiada em meio a uma enxurrada de manobras jurídicas de última hora, prosseguiu na noite de 30 de setembro. Em documentos judiciais apresentados neste mês, Randy Spivey, um dos advogados de Pike, descreveu quase uma hora durante a qual os integrantes da equipe responsável por instalar o acesso intravenoso tiveram dificuldades para fazê-lo.

Em determinado momento, segundo Spivey, um integrante da equipe disse que uma veia "poderia estar estourando". Em trechos de um depoimento de 2025 divulgados nos autos nesta semana, Kenneth Nelson, diretor da prisão onde as execuções são realizadas, afirmou que a equipe contratada para a execução não havia treinado o que fazer caso enfrentasse dificuldades para inserir o acesso intravenoso.

Foram necessários cerca de 30 minutos para verificar a autenticidade da primeira ligação da prisão ao serviço de emergência solicitando uma ambulância. Pike permaneceu por mais de uma semana em um hospital particular de Nashville, onde os funcionários, segundo ela, trataram-na com "compaixão, dignidade e respeito".

A condução desastrosa do procedimento passou a ser alvo de escrutínio por se tratar da segunda tentativa fracassada do estado de aplicar a pena de morte neste ano. Após a tentativa de execução de Pike, Frank Strada, o contestado chefe do Departamento de Correção do Tennessee, anunciou que deixaria o cargo.