Acusações são relacionadas a supostos atos cometidos durante guerra separatista contra a Sérvia em 1998 e 1999
PRISTINA, Kosovo— Milhares de pessoas se reuniram em Pristina neste sábado (12) em apoio ao ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaci, e a outros três ex-combatentes, antes da divulgação, na próxima semana, das sentenças em um julgamento por crimes de guerra. Os quatro homens negam as acusações.
Thaci e outros três ex-comandantes do Exército de Libertação do Kosovo (KLA) enfrentam acusações de supostos crimes de guerra relacionados ao conflito separatista contra a Sérvia, ocorrida em 1998 e 1999.
Os manifestantes lotaram uma praça central da capital, muitos carregando bandeiras albanesas vermelhas e pretas. Retratos dos quatro ex-combatentes do KLA foram espalhados pela cidade, juntamente com um enorme relógio digital que faz a contagem regressiva até o momento em que o tribunal, em Haia, anunciará suas sentenças, na quarta-feira. Uma enorme faixa dizia: “Em nome do povo, declarem-nos inocentes.”
Fadil Gashi viajou de ônibus até Pristina, vindo da cidade de Gjilan, no sudeste do país. Ele disse que “isso é o mínimo que podemos fazer: vir aqui hoje por eles”.
Os promotores pediram uma pena máxima de 45 anos de prisão para Thaci e os outros réus — Kadri Veseli, Rexhep Selimi e Jakup Krasniqi — que são acusados de assassinato, tortura e perseguição de civis durante e após o conflito, que deixou 13 mil mortos.
Thaci renunciou ao cargo em 2020 para se defender das dez acusações de crimes contra a humanidade e crimes de guerra. Ele e os outros três réus estão detidos desde novembro de 2020 no tribunal, que formalmente faz parte do sistema judicial do Kosovo.
Em uma declaração final apresentada aos juízes internacionais no início deste ano, Thaci afirmou que era inocente e que “a única decisão justa seria a minha absolvição completa”.
Os manifestantes em Pristina falam do KLA como um movimento de libertação. Autoridades criticaram o processo, classificando-o como político e concebido para criar um falso equilíbrio com a Sérvia, cujos líderes políticos e militares já haviam sido julgados e condenados por crimes de guerra cometidos no Kosovo por um tribunal separado da ONU.
O político Bedri Hamza disse à multidão que “não permitiremos que a história seja reescrita”, acrescentando: “Uma decisão justa fortalece a Justiça, enquanto uma decisão injusta a destrói. O Kosovo está esperando, o Kosovo está observando, o Kosovo permanece firme.”
Edi Rama, primeiro-ministro da vizinha Albânia, pediu “liberdade para os libertadores”. Em uma publicação na rede soial Facebook, ele afirmou que “a farsa está em seus últimos dias”.
O Kosovo declarou independência da Sérvia em 2008, com o apoio dos Estados Unidos e da maioria dos países da União Europeia. Com o respaldo da Rússia e da China, Belgrado não reconhece a separação, que tem sido uma fonte de tensão na instável região dos Bálcãs.
A maioria das 13 mil pessoas que morreram na guerra do Kosovo era de origem étnica albanesa, enquanto cerca de 1 milhão de kosovares de etnia albanesa foram expulsos de suas casas durante os combates. Uma campanha de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra as forças sérvias acabou obrigando Belgrado a se retirar.
Como tanto o Kosovo quanto a Sérvia buscam ingressar na União Europeia, ambos foram informados de que precisam normalizar suas relações antes de poderem entrar no bloco.
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