Milu Megale destacou investimentos em editais e o fortalecimento da cadeia cultural no Recife - Foto: Matheus Ribeiro/Folha de Pernambuco A secretária de Cultura do Recife, Milu Megale, afirmou, em entrevista à Rádio Folha 96,7 FM, na manhã desta sexta-feira (4), que as ações do setor devem ser consolidadas como uma política permanente de Estado, sendo enxergadas como um vetor estratégico de desenvolvimento econômico e transformação social na capital, para além das agendas sazonais.

“Cultura não é só lazer, não é só festa. Cultura é negócio e uma mola de desenvolvimento para a cidade. A cadeia cultural é gigantesca, composta por trabalhadores que vivem exclusivamente do que produzem. Por isso, precisamos pensar a cultura como uma política pública estruturada de Estado, garantindo condições para que o setor se fortaleça e movimente a nossa economia de forma contínua”, destacou a gestora.

A secretária ressaltou que a capital tem intensificado os mecanismos de fomento à produção artística local. Em 2026, o Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) aporta R$ 14 milhões em projetos, R$ 9 milhões via Fundo de Cultura e R$ 5 milhões via Mecenato (patrocínio). O montante soma-se aos R$ 10 milhões da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) e aos R$ 12 milhões destinados ao audiovisual por meio do programa de Arranjos Regionais, realizado em parceria com o governo federal.

Para assegurar que esses investimentos cheguem aos fazedores de cultura sem entraves excessivos, a gestão implementou o novo Marco Regulatório municipal, focado na simplificação dos processos administrativos.

“Projetos de até R$ 200 mil agora contam com uma prestação de contas simplificada. Partimos do pressuposto da execução do trabalho, eliminando exigências burocráticas detalhadas que antes afastavam o pequeno artista e os grupos comunitários dos editais públicos”, explicou Milu.

Além dos aportes financeiros, a gestora enfatizou a necessidade de qualificação profissional continuada e de intercâmbio artístico. Ela destacou a atuação da Escola de Frevo do Recife, que atende cerca de 500 alunos de 5 à 50 anos, e a retomada do SPA (Semana de Artes Visuais), prevista para ocorrer entre 19 e 27 de setembro, após quase duas décadas de interrupção.

No campo do patrimônio, Milu citou as intervenções no Teatro de Santa Isabel, que passa por substituição de carpetes e estofados via emenda parlamentar da senadora Teresa Leitão, somada ao projeto de restauro estrutural em elaboração em parceria com o IPHAN e o PAC.

“Sem investimento em formação e manutenção dos nossos espaços, a gente não avança. Precisamos ocupar as ruas com a nossa arte, criar novas plateias e aproximar a população da riqueza cultural da própria terra”, concluiu.

Confira a entrevista completa: