Entenda a história e as críticas da emblemática missão MINUSTAH, que durou 13 anos e contou com a atuação de mais de 13.000 brasileiros
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Introdução O Haiti, primeira nação livre de escravos, viveu séculos de instabilidade política. A missão de paz da ONU, MINUSTAH (2004-2017), com liderança do Brasil, buscou estabilizar o país. No entanto, foi marcada por desafios, como um terremoto devastador, epidemia de cólera e graves denúncias de abusos.
Principais Tópicos
Haiti: Da independência à instabilidade política crônica. O papel da ONU nas crises haitianas desde 1990. MINUSTAH: A missão de paz de 2004 a 2017 e a liderança militar do Brasil. Eventos marcantes: O terremoto de 2010 e a epidemia de cólera. As controversias da MINUSTAH, incluindo denúncias de abusos sexuais e violência.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Nos mares caribenhos da América Central, o Haiti é conhecido por sua beleza natural e por sua história como a primeira nação a conquistar a independência por meio de uma revolução de pessoas escravizadas, em 1804.
Desde sua emancipação, porém, a questão política no país é marcada por conflitos que perduram até hoje. O Haiti já teve mais de 30 golpes de Estado e mais de 20 constituições diferentes. Também é perpassado por uma série de problemas sociais, sendo um dos países com maiores índices de pobreza na América Latina.
Tudo isso fez com que o Haiti fosse alvo de inúmeras intervenções internacionais – algo que é amplamente debatido por pesquisadores.
A ONU realizou uma das intervenções mais conhecidas e emblemáticas no país, chamada missão de paz MINUSTAH. Ela durou de 2004 a 2017 e contou com a participação central do Exército brasileiro.
Para entender a missão, é preciso voltar alguns capítulos.
De 1957 a 1986, o Haiti viveu sob o comando ditatorial da família Duvalier. O período foi marcado pela violência, principalmente por parte dos “Tonton Macoutes”, membros da guarda presidencial que reprimiam a população.
Primeiro veio o governo de François Duvalier, médico que subiu ao poder por meio de eleições, mas que realizou um golpe de Estado em 1964. O mandato durou até 1971, ano de sua morte. Em seguida, a presidência passou para seu filho de 19 anos, Jean-Claude Duvalier.
Jean-Claude fugiu do país em 1986, após uma onda de revoltas populares. Com isso, o país teve uma sucessão de governos provisórios enquanto novas eleições eram organizadas. Durante esse processo, havia uma intensa disputa pelo poder.
Foi nesse contexto que a ONU começou a atuar no território haitiano. Em 1990, criou o Grupo de Observadores das Nações Unidas para a Verificação das Eleições no Haiti (ONUVEH), com o objetivo de fiscalizar o processo eleitoral.
Em dezembro daquele ano, o Haiti elegeu para presidente Jean-Bertrand Aristide, um padre muito conhecido no país. Apesar do apoio popular, ele era alvo de fortes críticas das elites haitianas. Em 1991, com apenas alguns meses no cargo, Aristide foi derrubado em mais um golpe de Estado.
Com isso, a ONU passou a atuar de forma mais incisiva e realizou diversas missões no país ao longo da década de 1990, como a MICIVIH e a UNMIH. Nesse contexto, chegou inclusive a apoiar um embargo econômico contra o Haiti, buscando desestabilizar a nova ditadura. A medida, porém, acabou agravando a situação da população e enfraquecendo ainda mais as instituições democráticas do país.
Em 1994, a organização, em colaboração com os Estados Unidos, enviou 20 mil soldados ao Haiti. Existem diversas críticas a esse período. Embora a ONU afirme que houve uma certa restauração democrática, também reconhece que a crise política continuou. Também vale relembrar que os EUA e o Haiti possuem uma longa história colonialista, que vai desde os Estados Unidos não reconhecer a independência do Estado Haitiano até realizar intervenções econômicas e políticas no país.
Mesmo assim, a operação permitiu que o padre Aristide retornasse ao poder naquele mesmo ano. Ele cumpriu o restante de seu mandato e governou até 1995 (no Haiti, o mandato presidencial dura cinco anos). Novas eleições foram realizadas, e a população elegeu René Préval, aliado de Aristide, como presidente.
Préval completou integralmente seu mandato, mas a aparente estabilidade política não foi suficiente para resolver a profunda crise social do Haiti. Nas novas eleições, o clima já não era o mesmo.
Em 2000, Aristide voltou a vencer as eleições presidenciais em um processo bastante controverso. “O pleito que o elegeu com mais de 90% dos votos, entretanto, foi considerado fraudulento e pouco representativo, tendo em vista que apenas em torno de 10% da população compareceu às urnas”, diz trecho da dissertação de mestrado de Gabriela Verenhitach, da Universidade Federal de Santa Maria.
Dessa vez, Aristide já não contava com o mesmo apoio popular. Seu governo foi marcado por violência e pobreza. Em 2003, começaram a surgir protestos contra o presidente, que foram reprimidos.
No ano seguinte, a rejeição ao governo cresceu ainda mais e um conflito armado generalizado tomou conta do país.
Logo em fevereiro, grupos rebeldes conquistaram a cidade de Gonaïves, uma das maiores do Haiti. Em seguida, avançaram pelo restante do território e assumiram o controle de grande parte da região norte, em uma ampla revolta popular. Aristide renunciou ao cargo naquele mesmo mês, pressionado pelos Estados Unidos.




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