Ivo Dall'Acqua Júnior substituiu o empresário Abram Szajman, que ficou quatro décadas no comando da entidade patronal

Mônica Bergamo é jornalista e colunista

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Diego Alejandro O empresário Abram Szajman deixou a presidência da FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) em maio, após 42 anos no cargo. O novo eleito é Ivo Dall’Acqua Júnior, que passará a representar os interesses de 1,8 milhão de empresários do setor em meio ao debate sobre a mais profunda mudança nas relações de trabalho dos últimos anos: o fim da escala 6x1.

Em entrevista de quase três horas na sede da entidade, em duas sessões alternadas, Dall’Acqua criticou as propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, que classifica como fruto de "populismo explícito". Para ele, mudanças desse tipo deveriam ser negociadas entre patrões e empregados, e não impostas pelo Estado –e muito menos em ano eleitoral.

Ele também atribui a alta informalidade do mercado de trabalho a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, critica o que chama de "penduricalhos" da legislação trabalhista e diz que o Brasil remunera "mais o tempo livre do que o tempo trabalhado".

O novo presidente defendeu ainda que beneficiários de programas sociais sejam estimulados a buscar autonomia financeira e afirmou que seria "uma condição interessante" restringir o direito de voto de quem recebe esse tipo de auxílio. Ele disse que isso já ocorre em alguns países desenvolvidos, mas não dá exemplos.

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[Duas semanas após a entrevista, ao ser questionado sobre que países restringiriam a participação de eleitores beneficiários de programas sociais, Ivo mandou uma retificação à coluna. "Afirmei, de maneira equivocada, que em países desenvolvidos os beneficiários desses programas não podem votar. Foi um equívoco de minha parte, que faço questão de corrigir. Num país democrático todos devem ter o direito ao voto. É fundamental que assim seja e permaneça.

Acredito sim na relevância e necessidade dos programas sociais enquanto não construirmos um País mais justo para todos. Aliás, temos muitos exemplos de programas sociais dedicados às pessoas em situação de vulnerabilidade no sistema comércio onde estou há mais de 40 anos. O que defendo, e não transmiti bem, é a adoção de mecanismos eficazes que condicionem a manutenção do benefício à comprovação de sua necessidade e a busca de uma vaga formal de emprego, modelo adotado, com diferentes formatos, em alguns países."]

Na conversa, o empresário afirmou que chega ao comando da entidade "com os pés no presente, olhar no futuro, mas respeitando o passado. Tenho que cuidar desse legado [na Fecomércio] e adequá-lo às necessidades que esses tempos mais recentes têm exigido", diz.

"Abram é uma pessoa de poucas palavras e de ações eficientíssimas. Eu sou um camarada mais conversador", conta.