Elas transformam recursos digitais em assinaturas

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Montadoras estão transformando a relação com o cliente pós-venda, oferecendo serviços digitais via assinatura que vão de localização do veículo a assistência remota. Empresas como BYD, GWM, Honda e VW já atuam nesse mercado, que se mostra bilionário globalmente. Descubra como a conectividade está mudando a indústria e sua experiência ao volante.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A chave do carro já não é a última coisa que uma montadora entrega ao cliente. Depois de sair da concessionária, o motorista continua conectado à fabricante pelo celular, por meio do qual pode localizar o veículo, conferir seu estado, receber alertas, acionar funções a distância, acompanhar a manutenção e acessar serviços que vão muito além da oficina. Trata-se de uma mudança que já chegou ao mercado brasileiro. As chinesas BYD e GWM, a japonesa Honda e a alemã Volkswagen, entre outras, oferecem aplicativos que transformam o smartphone em uma extensão do automóvel e mantêm a empresa presente na rotina do consumidor. As funcionalidades são oferecidas por assinatura, o que permite às montadoras conhecer melhor os hábitos de uso do veículo e, sobretudo, continuar faturando mesmo depois que o carro deixa a concessionária. “Nós nos habituamos a comprar facilidades”, diz Maurício Morgado, líder do Centro de Excelência em Varejo da Fundação Getulio Vargas. “Se o serviço entregar valor, o consumidor aceita pagar por ele, seja por um seguro melhor, um GPS mais eficiente ou uma versão de software com mais recursos.”

Em geral, as montadoras oferecem as funcionalidades digitais gratuitamente por um período e, depois, passam a cobrar uma assinatura ou a vender pacotes específicos. Na chinesa GWM, que entrega dois anos de conectividade sem custo, 43% dos clientes mantêm o serviço quando a gratuidade termina. Para elevar a adesão, a empresa adiciona funções à plataforma. “Procuramos oferecer cada vez mais comodidades”, diz Diego Fernandes, diretor de operações da GWM Brasil. O app da marca já reúne ferramentas de controle e monitoramento do veículo e, no caso dos elétricos, permite localizar pontos de recarga. Segundo a empresa, a ideia é tornar o serviço útil no dia a dia para que o motorista tenha motivos para renovar a assinatura.

Nos mercados mais desenvolvidos, esse modelo se tornou um negócio bilionário. Nos Estados Unidos, a Tesla cobra 99 dólares por mês pelo Full Self-Driving, sistema que executa diversas tarefas de condução sob a supervisão do motorista. A Mercedes-­Benz foi ainda mais longe: no sedã EQE 350 4Matic, oferece por assinatura um pacote que eleva a potência do motor de 288 para 348 cavalos. Na GM, o OnStar, sistema que reúne assistência em emergências, diagnóstico remoto e outros serviços conectados, gerou 800 milhões de dólares de abril a junho deste ano, 20% mais que no mesmo período de 2025. A companhia americana espera conquistar 1 milhão de assinantes em 2026 e chegar perto de 13 milhões até o final do ano. Também da GM, o Super Cruise, sistema de assistência à condução disponível em modelos de marcas do grupo, principalmente Cadillac e GMC, ganhou 70 000 usuários no trimestre, enquanto sua receita cresceu 70% na comparação anual. E isso parece ser apenas o começo: estimado em 290 bilhões de dólares em 2025, o mercado de serviços digitais para automóveis poderá movimentar 4,2 trilhões de dólares até 2034, segundo a empresa de conectividade Cubic.

A mudança mais profunda pode estar nos dados gerados pela relação contínua com o motorista. A Ford monitora 400 000 veículos conectados na América do Sul e processa diariamente 100 milhões de informações em um centro tecnológico em Camaçari, na Bahia. Com isso, consegue identificar padrões de uso que podem indicar uma falha antes que ela ocorra ou enviar uma atualização para corrigir o problema. A empresa também testa ferramentas de inteligência artificial capazes de produzir uma espécie de radiografia do cliente e do veículo, reunindo histórico de uso, serviços e experiências para orientar o atendimento na concessionária. “A base de dados constrói naturalmente uma camada de valor adicional, com possibilidade de personalizar ofertas”, diz Paula Perrotta, gerente-sênior de Experiência do Cliente da Ford. Para as montadoras, é uma avenida promissora. Para o consumidor, resta saber se a novidade será percebida como conveniência — ou como um pedágio cobrado para usar tudo o que o carro pode oferecer.

Publicado em VEJA de 4 de setembro de 2026, edição nº 3011