Decisão de Mendonça de retirar sigilo de relatório da PF sobre mensagens de banqueiro Daniel Vorcaro supostamente enviadas a Alexandre de Moraes expôs uma rivalidade que, até então, vinha sendo percebida de forma silenciosa pelos corredores do STF.
O conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça chegou a um novo patamar nesta quinta-feira (3/9) com a acusação por Moraes de que seu colega no Supremo Tribunal Federal (STF) cometeu crimes na condução da investigação do caso do Banco Master.
A medida veio após uma crise sem precedentes ser aberta no Supremo pelo relatório da Polícia Federal, produzido por solicitação de Mendonça, que indicou possíveis irregularidades na relação entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
A tensão entre Moraes já vinha sendo sentida de forma velada nos corredores do STF há algumas semanas, segundo relatos colhidos pela BBC News Brasil.
O estopim da crise foi a retirada do sigilo do relatório da PF sobre mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e supostamente enviadas a um contato salvo em seu celular com o nome de Alexandre de Moraes.
Até o momento, não houve nenhuma manifestação oficial ou extraoficial de Alexandre de Moraes sobre o assunto.
Vorcaro está preso e é suspeito de comandar uma organização criminosa que praticou crimes contra o sistema financeiro nacional por meio do Banco Master.
O relatório da PF levantou suspeitas de que Vorcaro possa ter recebido informações privilegiadas sobre investigações contra ele fornecidas por Moraes.
A PF também mostrou, em detalhes, contratos mantidos por Vorcaro e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, no valor de R$ 129 milhões.
Acompanhe apuração em tempo real
Fim da Promoção da eleição 2026
Em nota, o escritório Barci de Moraes disse que não foi identificada previsão de atuação no STF nem qualquer impedimento legal para a contratação.
A nota diz ainda que Alexandre de Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master".
Mendonça também deu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestasse sobre a possibilidade de abertura de uma investigação contra Moraes.
Na noite de terça-feira (1/9), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do caso argumentando que Mendonça teria que ter consultado o plenário do STF antes de solicitar à PF que produzisse um relatório.
Agora, Moraes partiu para a ofensiva contra Mendonça ao pedir sua inclusão no inquérito das Fake News, acusando o colega de toga de "usurpação da direção das investigações das autoridades policiais", "condução irregular das tratativas de eventual colaboração premiada" e "direcionamento de determinados alvos para investigação (Ministro Alexandre de Moraes e Senador Davi Alcolumbre), por motivos pessoais e políticos (...)".
Entre as situações, o despacho acusa Mendonça de ter ordenado "diligência investigatória policial para a produção ilegal de provas contra o Ministro Alexandre de Moraes". Ainda não está claro se a inclusão no inquérito é automática ou se depende de autorização da Presidência do STF.
Em paralelo, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, solicitou esclarecimentos a Moraes, Mendonça e Gonet, além do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues para que o plenário da Casa possa tomar uma decisão a respeito do pedido da PGR pela anulação da validade do relatório.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, o plenário deverá ter que decidir tanto sobre o pedido de anulação do caso quanto sobre uma possível investigação contra Moraes.
É um caso sem precedentes, por isso os ritos e desdobramentos a partir daqui são repletos de incógnitas, disseram os entrevistados.
A decisão de Mendonça de retirar o sigilo expôs ao público uma rivalidade que, até então, vinha sendo percebida de forma silenciosa pelos corredores do STF. Uma rivalidade que colocou frente a frente ministros tidos como os mais poderosos da Corte.




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário