Um crime que silenciou uma figura-chave do submundo da República, chegou aos tribunais depois de 17 anos e foi encerrado na esfera judicial após 22 anos segue como um enigma na história política brasileira. Leia mais (06/22/2026 - 23h00)
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22.jun.2026 às 23h00
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Um crime que silenciou uma figura-chave do submundo da República, chegou aos tribunais depois de 17 anos e foi encerrado na esfera judicial após 22 anos segue como um enigma na história política brasileira.
Na madrugada de 23 de junho de 1996, o empresário Paulo César Farias e sua então namorada Suzana Marcolino foram encontrados mortos na cama de uma casa na praia de Guaxuma, em Maceió. Desde então, o caso foi alvo de sucessivas perícias, motivou disputas entre especialistas e teve um inquérito anulado.
O episódio completa 30 anos nesta terça-feira (23) com o processo judicial encerrado sob a tese de duplo homicídio, nenhuma pessoa punida e a memória em torno de seus personagens em disputa.
Empresário com trânsito livre nos círculos políticos e econômicos do país, PC Farias foi um dos homens mais influentes do governo Fernando Collor de Mello, político de carreira meteórica que chegou à Presidência aos 40 anos na primeira eleição para o cargo após a redemocratização.
PC foi tesoureiro da campanha de Collor em 1989, manteve a influência durante o governo e se tornou personagem central dos escândalos de corrupção que levaram Collor ao impeachment em 1992. O alagoano baixinho, careca e com um vasto bigode sairia das sombras para ganhar os holofotes.
De 1992 a 1996, PC Farias foi alvo de investigações, respondeu a processos judiciais e foi detido um hotel de luxo na Tailândia, meses após ter a prisão decretada. Quando foi morto, estava em condicional e ia prestar novos depoimentos na CPI das Empreiteiras.
PC Farias e Suzana Marcolino eram namorados há cerca de um ano e quatro meses quando foram encontrados mortos em junho de 1996. Ele tinha 50 anos e ela, 28.
"Imagine ir dormir e acordar com o impacto de um furacão destruindo tudo ao seu redor e na sua estrutura mais profunda. Foi assim que a família de Suzana Marcolino acordou naquele dia do seu assassinato e nunca mais a vida foi igual para nós", afirma a jornalista Ana Luiza Marcolino, irmã de Suzana.
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A polícia de Alagoas sustentou, de pronto, a existência de crime passional –Suzana teria assassinado PC com um tiro no peito e cometido suicídio. A tese foi referendada por um laudo do médico-legista Fortunato Badan Palhares, mas a conclusão seria questionada no ano seguinte ao crime.
Um novo relatório policial, após reportagens da Folha, demonstrou que Suzana era mais baixa do que os 1,67m utilizados como referência na perícia. Ela teria entre 1,53 m e 1,57 m, o que não a colocaria na trajetória da bala que supostamente teria disparado contra si. A revelação mudou os rumos da investigação.
Em 1999, o inquérito original foi reaberto, e novos exames realizados pelo perito George Sanginetti indicaram que tanto PC Farias quanto Suzana haviam sido assassinados. Um relatório da Polícia Científica de Alagoas apontou indícios de luta corporal na residência.
A guerra de versões se estendeu por mais de uma década. O então deputado federal Augusto Farias, irmão de PC Farias, chegou a ser indiciado por suspeita de participação nas mortes por disputas patrimoniais. O inquérito foi arquivado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2002 por falta de provas.


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