Jandyra Palmyra Corazza Ferreira foi pioneira em uma época em que poucas mulheres ocupavam espaços no direito e na vida pública. Leia mais (06/26/2026 - 17h50)
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26.jun.2026 às 17h50
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Jandyra Palmyra Corazza Ferreira foi pioneira em uma época em que poucas mulheres ocupavam espaços no direito e na vida pública.
Primeira advogada a obter registro na OAB em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e também a primeira mulher a tirar carteira de motorista na cidade, construiu uma trajetória marcada pela autonomia e pelo cuidado com a família.
Conhecida como dona Nenê Corazza, ou só Nenê, era lembrada por parentes e amigos como uma mulher de opiniões firmes, direta e à frente de seu tempo.
Neta de Samuel Sabattini, que dá nome à praça do Paço Municipal de São Bernardo do Campo, e filha de Manoel Corazza, fundador da fábrica de móveis Corazza, cresceu em uma família tradicional da região.
Estudou na Escola Católica Santa Inês, na região do Bom Retiro, e cursou direito na Faculdade Católica de Direito de Santos entre 1954 e 1958, integrando a segunda turma da instituição.
Casou-se com o advogado Vladimir Soares Ferreira. Ao longo da vida, manteve uma rotina marcada pelo trabalho e pela dedicação à família. Era conhecida pela atenção constante aos outros e pela forma como acompanhava de perto a vida dos filhos e, depois, dos netos.
"Ela era uma mulher arrojada para a época e sempre muito preocupada com os outros —família, amigos, funcionários. A gente costumava dizer que ela se preocupava mais com os outros do que com ela mesma", afirma o filho Vladimir Corazza Ferreira.
Gostava de dirigir e mantinha o hábito de frequentar a casa de veraneio na praia da Baleia, em São Sebastião, litoral norte paulista. Acordava cedo e esperava a chegada do jornal para leitura diária —foi assinante da Folha por mais de cinco décadas.
O futebol também fazia parte da rotina. São-paulina, acompanhava os jogos do time de maneira assídua.
A relação com os filhos era próxima. "O maior legado dela foi essa preocupação com todos. Ela sempre dizia: ‘Se vocês estão bem, eu também estou bem’", afirma o filho.
Jandyra morreu em fevereiro aos 97 anos. Meses antes da morte, demonstrava consciência sobre o fim da vida. Em uma das visitas à casa de praia, comentou com a caseira que aquela seria sua última vez ali.
Para a família, a forma como viveu resume sua trajetória. "No final, ela foi como uma lanterna. Foi apagando aos poucos, apagava e voltava, até que apagou de vez", diz o filho.
Ela deixa dois filhos, Vladimir, farmacêutico-bioquímico, e Paula Corazza Ferreira Naline, arquiteta e paisagista. Também deixa três netos —Mariana, Marcela e Lucas— e um bisneto, Vicente.




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