Após os desgastes de 2025, o deputado se aproximou da equipe econômica do governo e ajudou a conter pautas de alto impacto fiscal
A Câmara dos Deputados inicia o recesso parlamentar com Hugo Motta (Republicanos-PB) em um cenário bem diferente daquele que marcou seu primeiro ano no comando da Casa.
Depois de enfrentar críticas à articulação política, derrotas e desgastes simultâneos com o Planalto e a oposição, o deputado encerra o semestre mais próximo do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecido entre os líderes partidários e mais blindado internamente.
Motta passou a aparecer em 2026 com frequência em agendas ao lado de Lula e, em 13 de janeiro, participou da sanção da segunda lei de regulamentação da reforma tributária e do lançamento da plataforma digital do novo sistema.
Em 4 de fevereiro, esteve no jantar oferecido pelo presidente a ministros e líderes da Câmara na Granja do Torto, encontro de cerca de três horas em que Lula agradeceu publicamente o empenho do deputado na aprovação de projetos do governo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles O presidente da Câmara também acompanhou Lula, em 12 de maio, no lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado, com previsão de R$ 11 bilhões em financiamentos, e, em 20 de maio, no balanço dos 100 primeiros dias do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio.
As aparições deram dimensão pública a uma relação que passou a ser cultivada também em almoços, reuniões reservadas e negociações sobre as prioridades do Executivo no Congresso.
A aproximação com o Planalto se deu ao mesmo tempo em que Motta recompôs sua sustentação dentro da Câmara. Os líderes do MDB, PP, União Brasil e Republicanos, identificados como a “tropa de choque” do presidente da Casa, permaneceram à frente das bancadas, e o bloco mais próximo do deputado paraibano passou a reunir cerca de 275 parlamentares.
Em abril, Motta ainda demonstrou força ao assegurar a eleição de Odair Cunha (PT-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU), com 303 votos, contra 96 de Elmar Nascimento (União-BA), apoiado por setores da oposição.
Presidente da Câmara chegou a 2026 pressionado por críticas à articulação política e pelos desgastes acumulados no primeiro ano de mandato
Ao longo do semestre, o deputado recompôs a base, ganhou o respaldo dos líderes e se blindou no comando da Casa
A aproximação com o presidente da República marcou a articulação de pautas como a PEC da Segurança Pública e o fim da escala 6x1.
Presidentes da Câmara e do Senado adotaram estratégias distintas nas negociações com o governo sobre pautas de impacto fiscal
Depois de um primeiro ano desafiador, Motta começou o calendário legislativo com foco na segurança pública. Em fevereiro, a Câmara aprovou a terceira versão do Projeto de Lei (PL) Antifacção.
A proposta, originária do Ministério da Justiça, foi profundamente modificada ao passar pela Câmara em 2025, sendo um dos palcos de embates entre Motta e o governo.
No Senado, passou por mudanças mais favoráveis ao governo, como a retirada de trechos como o veto a presos de votarem nas eleições e a inserção de uma taxação maior sobre casas de apostas online- as bets. Ambos foram alterados pelo relator na Câmara, Guilherme Derrite (PP-SP), indicado por Motta.
Apesar das divergências, a relação com o governo Lula continuou a se estreitar. No mês seguinte, a Câmara concluiu a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública sem incluir, por articulação de Motta, a realização de um referendo sobre a redução da maioridade penal.
A PEC que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e amplia as competências da União no combate ao crime organizado, ao mesmo tempo em que faz uma maior distribuição do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para estados e Municípios.
Com a pauta da segurança pacificada, Motta centralizou os esforços da Câmara para destravar a PEC do fim da escala 6×1, que se tornaria o principal marco da sua gestão.
A redução do teto constitucional da jornada de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais e dois dias de descanso teve uma tramitação fugaz de pouco mais de 80 dias entre dar entrada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ser aprovada no plenário em 27 de maio.
A construção da proposta também mostrou como Motta passou a administrar as divergências com o governo sem permitir que elas interrompessem a tramitação.

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