Data center previsto para 2027 em Campinas promete ter 40% da atual capacidade do Brasil O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou nesta terça-feira (15) um inquérito civil para apurar impactos e a regularidade do projeto para construção d…

Por Gabriel Pitor, g1 Campinas e Região

17/09/2026 17h56 Atualizado 17/09/2026

O MP-SP instaurou nesta terça-feira (15) um inquérito civil para apurar a regularidade do projeto de data center em Campinas.

O MP-SP notificou órgãos municipais e a empresa Terranova. Eles têm prazo de 10 dias para apresentar documentos e explicações sobre o empreendimento.

Até o momento, o projeto possui licença apenas para uma subestação de energia. A estrutura principal do data center ainda precisa de aprovação.

O Comdema apontou possíveis irregularidades no licenciamento e riscos ambientais e hídricos. Em 31 de agosto de 2026, o conselho pediu a suspensão das obras.

Lançado em 20 de agosto de 2026, o projeto prevê 500 milhões de dólares de investimento. A capacidade final será de 400 megawatts.

Data center previsto para 2027 em Campinas promete ter 40% da atual capacidade do Brasil

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) instaurou nesta terça-feira (15) um inquérito civil para apurar impactos e a regularidade do projeto para construção de data center de Inteligência Artificial (IA) às margens da Rodovia Governador Dr. Adhemar Pereira de Barros (SP-340), em Campinas (SP).

O campus promete ter 40% da atual capacidade de Tecnologia de Informação (TI) comissionada do Brasil, que, segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), atualmente é de 1 gigawatt (GW).

No entanto, o projeto, até o momento, só possui alvarás de aprovação e de execução para uma subestação de energia elétrica — a primeira fase da construção, que deverá ser concluída até dezembro de 2027. O data center ainda precisa ser aprovado.

A medida ocorre após o MP receber três denúncias contra a construção. Uma delas é do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema), que apontou possíveis irregularidades no licenciamento do data center, incluindo falta de consulta prévia, fracionamento ambiental, liberação antecipada de alvarás e riscos ligados à subestação energética.

O conselho também alertou para impactos ambientais e patrimoniais, como aumento de ilhas de calor, alto consumo de água e a presença de bens históricos na área da antiga Fazenda Pau d'Alho.

De acordo com o promotor Rodrigo Sanches Garcia, o objetivo do inquérito é reunir "elementos técnicos e documentais que permitam a esta Promotoria de Justiça avaliar a necessidade de adoção de medidas extrajudiciais ou judiciais aptas a prevenir e a reparar eventuais danos ao meio ambiente".

Em nota, a Prefeitura de Campinas destacou que apenas a subestação de energia elétrica recebeu licença, que estabelece condições para a execução da obra, incluindo controle de resíduos, terraplenagem e drenagem. Também determina que não haja supressão de árvores ou intervenção em Área de Preservação Permanente (APP) sem as devidas autorizações ambientais.

"As demais etapas relacionadas ao futuro empreendimento estão em análise pelas Secretarias de Urbanismo, Planejamento e Desenvolvimento Urbano e Clima, Meio Ambiente e Sustentabilidade. Os possíveis impactos das futuras obras e as respectivas medidas de mitigação também estão sendo avaliados", ponderou.

O Executivo disse que não foi oficiado, mas que, quando for, irá responder aos questionamentos do MP.

A Terranova, empresa responsável pelo data center, também informou que não foi notificada até esta publicação e que, quando isso ocorrer, "prestará os esclarecimentos no prazo e pela via nele indicados".

"Desde o início dos processos administrativos do projeto, a companhia mantém interlocução com os órgãos competentes pelos canais formais, e segue à disposição para contribuir com o que for solicitado", completou a empresa.

Data center previsto para 2027 promete ter 40% da atual capacidade do BrasilFazenda histórica que foi de barão do café dará lugar a data center de IAData center de IA em Campinas ainda depende de licenças ambientais