Ação civil pública quer uma mudança radical na realidade de abandono e miséria vivia pelo povo indígena em Minas Gerais
Belo Horizonte – Em uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência, o Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais denunciou no início de julho uma grave crise de saúde e abandono que assola o povo indígena Tikmũ’ũn (Maxakali), conhecido como “O Povo do Canto”, no nordeste mineiro, especificamente na região do Vale do Mucuri.
A petição inicial, protocolada na Justiça Federal de Teófilo Otoni, cita o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, para ilustrar a tragédia:
mortes precoces por fome, fraqueza e doenças, que ceifam principalmente crianças e jovens.
O procurador da República Edmundo Antônio Dias, autor da ação, pede uma mudança radical na realidade vivida pela tribo. “O que se pretende por meio da ação civil pública é, em um processo estrutural coordenado pela Justiça Federal, promover uma mudança radical dessa realidade de inaceitável desigualdade, abandono e morte dos indígenas Tikmũ’ũn Maxakali, na Região do Vale do Mucuri”.
Estudos do Laboratório Interdisciplinar e Interepistêmico em Saúde Coletiva (LISC) da Unifesp, publicados em 2025, mostram um quadro chocante na comunidade indígena. Entre os Maxakali, a mortalidade proporcional infantil é 10 vezes maior que entre não indígenas na mesma região para crianças abaixo de 1 ano, e 30 vezes maior na faixa de 1 a 4 anos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles O abismo em relação aos vizinhos consolida-se no topo do gráfico: apenas 2,4% dos Maxakali superam os 60 anos de idade. O quadro equivale ao que o Brasil enfrentava há quatro décadas, com mortes decorrentes de causas que poderiam ser evitadas, como desnutrição e infecções respiratórias ou intestinais.
A expectativa de vida é baixíssima, com alta concentração de óbitos em faixas etárias jovens. As principais causas são doenças infecciosas intestinais, infecções respiratórias, deficiências nutricionais e problemas ligados à falta de saneamento e água potável.
Muitas aldeias carecem de estrutura básica de esgoto, e o acesso à medicina tradicional foi prejudicado pela perda de terras e degradação ambiental.




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