A mudança na aparência de Vini Jr. despertou curiosidades sobre a técnica usada e os efeitos do procedimento. Uma das dúvidas é se alterações no rosto poderiam causar problemas para reconhecimento facial.O que Vini fez?O jogador teria passado por sessõ

A mudança na aparência de Vini Jr. despertou curiosidades sobre a técnica usada e os efeitos do procedimento. Uma das dúvidas é se alterações no rosto poderiam causar problemas para reconhecimento facial.

O jogador teria passado por sessões de naturalização facial, segundo perfil oficial do dermatologista Alessandro Alarcão. Não há informações, porém, se Vini Jr. realizou outras intervenções antes ou depois das sessões com outros profissionais.

Os especialistas não consideram provável que a radiofrequência monopolar altere a biometria facial. O tratamento promove uma retração discreta dos tecidos moles, mas não modifica os ossos ou os principais pontos anatômicos analisados pelos sistemas modernos de reconhecimento.

Mudanças capazes de interferir de maneira mais significativa na aparência podem ocorrer com cirurgias ou com o uso exagerado de preenchedores, segundo o dermatologista Renato Soriani, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Não há evidências de que isso aconteça com a radiofrequência aplicada dentro das indicações habituais, diz o especialista.

A radiofrequência não é uma técnica nova na dermatologia. Diferentes aparelhos já utilizam ondas eletromagnéticas para gerar calor nos tecidos e tentar melhorar aspectos como flacidez, textura e sustentação da pele.

Na prática, o médico posiciona uma ponteira sobre a pele. A energia atravessa os tecidos e produz aquecimento controlado, enquanto um sistema de resfriamento tenta proteger a superfície e reduzir o desconforto. Não há cortes nem aplicação de substâncias no rosto.

O colágeno ajuda a dar resistência e sustentação à pele. Quando os tecidos são aquecidos dentro de uma faixa controlada, as fibras existentes podem sofrer contração e iniciar um processo de reorganização. O organismo também pode responder ao estímulo produzindo novas fibras ao longo das semanas seguintes.

Com isso, a pele pode ficar mais firme e sofrer uma discreta retração. Essa mudança pode tornar o contorno da mandíbula mais visível ou reduzir a aparência de flacidez abaixo do queixo. O efeito é diferente daquele provocado por um preenchimento.

O ácido hialurônico, por exemplo, acrescenta volume e pode projetar diretamente o queixo ou ampliar o ângulo da mandíbula. A radiofrequência, por sua vez, não cria esse volume. Ela atua principalmente sobre a sustentação e a acomodação dos tecidos.

Pode existir uma percepção inicial de maior firmeza logo após a sessão, mas o resultado não deve ser avaliado somente naquele momento. Parte da reação imediata pode estar relacionada à contração dos tecidos e a alterações temporárias provocadas pelo procedimento.

A remodelação do colágeno ocorre gradualmente. Por isso, eventuais mudanças podem continuar aparecendo ao longo das semanas ou dos meses seguintes.

A intensidade do resultado varia. Idade, espessura da pele, grau de flacidez, anatomia do rosto, potência utilizada e resposta individual influenciam o efeito.

O aparelho também não é capaz de produzir a mesma transformação em todas as pessoas. O procedimento não altera os ossos da face. Também não muda a distância entre os olhos, o tamanho da mandíbula ou a estrutura anatômica do nariz e do queixo.

O resultado é mais limitado que o de uma cirurgia. Segundo a dermatologista Elizabeth Senra, membro da Sociedade Brasileira Dermatologia, a técnica não substitui um lifting cirúrgico, procedimento estético que reposiciona os músculos faciais.

Os efeitos mais comuns da radiofrequência monopolar são vermelhidão, inchaço e sensibilidade temporária. Complicações mais raras incluem queimaduras, alterações transitórias da sensibilidade e, em determinadas situações, perda indesejada de gordura facial. Pacientes muito magros ou que já apresentam pouco volume de gordura no rosto precisam de uma avaliação mais criteriosa.

O equipamento monitora a temperatura da pele durante os disparos. Caso ela ultrapasse 42º C, a máquina bloqueia a liberação de energia. Esse mecanismo reduz os riscos, mas não elimina a possibilidade de complicações. "Caso haja um erro técnico de aplicação ou de acoplamento, isso pode mudar a forma como a energia é entregue à pele e causar queimaduras", afirma Soriani.

O procedimento não é indicado para gestantes, pessoas com marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantáveis e pacientes com infecções ativas na região que receberia a aplicação. Outras condições clínicas precisam ser avaliadas individualmente. O paciente deve verificar se o equipamento tem registro na Anvisa e se o profissional tem treinamento para trabalhar com a tecnologia.

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