Santa Catarina tem pelo menos 63 vereadores concorrendo a cargos do Legislativo, como deputado federal e estadual, nas Eleições 2026. O movimento feito

Jair Renan Bolsonaro e mais de 60 nomes de SC são vereadores tentando cargo de deputado nas Eleições 2026 em SC (Fotos: Instagram, Reprodução / Pablo Valadares, Câmara dos Deputados)

Santa Catarina tem pelo menos 63 vereadores concorrendo a cargos do Legislativo, como deputado federal e estadual, nas Eleições 2026. O movimento feito por Jair Renan Bolsonaro (PL), vereador de Balneário Camboriú e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que busca uma vaga na Câmara dos Deputados, também é repetido por outros nomes em diferentes regiões do Estado.

O levantamento do NSC Total com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera 42 postulantes que declararam a função de vereador como ocupação profissional à Justiça Eleitoral e mais nomes de vereadores das 12 cidades de SC com mais de 100 mil eleitores (veja nomes abaixo). O número total pode ter, ainda, vereadores de outros municípios e que não tenham informado a atividade de vereador como ocupação principal ao TSE.

No total, 33 desses vereadores concorrem a deputado estadual enquanto 29 buscam uma vaga de deputado federal na Câmara, em Brasília. O vereador de Florianópolis Afrânio Boppré (PSOL) é o único que é candidato ao Senado. Pelas regras eleitorais, eles não precisam deixar o cargo para concorrer, como acontece com os prefeitos.

Florianópolis, com 11 nomes diretamente envolvidos na disputa, é o município com mais vereadores concorrendo entre as cidades mapeadas. No entanto, a lista ainda reúne parlamentares de pelo menos mais 19 cidades.

Dos nomes levantados pela reportagem, o Novo lidera entre os partidos com mais candidatos, com nove vereadores concorrendo, seguido por PSD (8) e por PT, Podemos e PDT (cada um com seis).

No caso de Jair Renan, a popularidade alcançada por ser filho do ex-presidente e a decisão estratégica de lançar nomes da família Bolsonaro ao Congresso são motivações para a candidatura à Câmara Federal. Mas há outras situações que impulsionam vereadores a concorrer nas eleições gerais.

O professor de Administração Pública e pesquisador de Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Daniel Pinheiro, avalia que, em geral, os vereadores cumprem três papéis nas candidaturas a deputado estadual ou federal. O primeiro deles é o caso do vereador que já se consolidou no mandato e que faz o partido observar chances reais de um salto na carreira política.

“Nesses casos, o candidato tem acesso mais rapidamente a recursos para a campanha, e por desempenhar bem no município, o partido tenta usá-lo como alavanca para alcançar um espaço que não tinha antes”, aponta.

Um segundo caso é do vereador que aproveita a vantagem de não precisar sair do cargo para tentar concorrer e acaba se lançando candidato para atuar como uma espécie de “cabo eleitoral” do partido, dando suporte a outros candidatos que a sigla quer eleger e considera mais viáveis eleitoralmente. Em geral, isso acaba ocorrendo por meio das famosas “dobradinhas”, em que o vereador pede voto para si e também para outro candidato do partido.

“Eles geralmente não vão ter um grande número de votos, mas por terem uma base eleitoral definida no município, eles não têm tanto trabalho para conseguir chegar ao eleitor e proporcionar esse suporte eleitoral. Às vezes o eleitor se surpreende achando que o candidato não fez tantos votos, mas ele estava trabalhando para o partido”, detalha.

Por fim, o terceiro caso é do vereador que sai candidato para manter o capital político para se reeleger vereador ou concorrer a prefeito ou vice-prefeito daqui a dois anos, no município.