A administradora Nathália Rodrigues, 26, conhecida como Nath Finanças , quer que mulheres negras possam escolher o momento certo para ter filhos. A educadora Bárbara Carine , 39, sonha com gestações e partos livres de violência. Já a corretora de imóveis Patrícia Andrade, 46, deseja um futuro de afeto e acolhimento para os filhos. Leia mais (07/24/2026 - 23h00)
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24.jul.2026 às 23h00
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Geovana Oliveira Paola Ferreira Rosa
A administradora Nathália Rodrigues, 26, conhecida como Nath Finanças, quer que mulheres negras possam escolher o momento certo para ter filhos. A educadora Bárbara Carine, 39, sonha com gestações e partos livres de violência. Já a corretora de imóveis Patrícia Andrade, 46, deseja um futuro de afeto e acolhimento para os filhos.
No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado neste sábado (25), a Folha ouviu mulheres de diferentes perfis sobre seus desejos em relação à maternidade e aos direitos reprodutivos.
Para elas, esse direito vai além da decisão de interromper ou levar adiante uma gravidez. Inclui poder escolher se e quando ter filhos, com acesso à informação e a métodos contraceptivos. Envolve também ter a dor considerada nas consultas ginecológicas, receber atendimento digno no parto e viver a maternidade sem que o racismo determine o destino de mães e filhos.
A comunicadora Bruna Dias, 32, cresceu na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, vendo meninas deixarem a escola por causa da gravidez. Hoje, ela defende mais acesso à informação e à educação sexual para adolescentes.
Sete em cada dez meninas que engravidam antes dos 19 anos são negras, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Seis em cada dez mães adolescentes não estudam nem trabalham.
Patrícia engravidou aos 22 anos e precisou desistir da faculdade. Ainda sonha em cursar letras. "Hoje em dia, as meninas menstruam com 11 anos. A menina que teve a menarca tem direito a entender sobre a sexualidade, com tempo e na linguagem correta."
Segundo as entrevistadas, esse acesso à informação evita que meninas sejam forçadas a escolher entre maternidade e carreira. "Uma mulher negra sadia e segura de sua decisão ganha o mundo, e o mundo ganha com ela", diz Michele Salles, 44, diretora de impacto social na Profile, consultoria especializada em reputação e impacto.
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Michele perdeu três gestações antes de conseguir realizar o sonho de ter um filho —hoje, Caetano tem sete anos. Ao longo do processo, teve a própria decisão de ser mãe questionada e foi submetida a procedimentos dolorosos sem anestesia.
"Alguns médicos foram extremamente racistas. Essa coisa de achar qur a mulher negra tem mais tolerância à dor", diz. Um estudo de 2024 publicado no Journal of Pain mostrou que profissionais de saúde subestimam de forma desproporcional a dor de mulheres negras, em comparação a mulheres brancas e também a homens negros e brancos.
"Todas as mulheres precisam fazer exames ginecológicos. Mas às vezes somos tratadas sem atenção nenhuma. São invasivos, dolorosos. Por que não pensar em uma estratégia para amenizar isso?", questiona a professora Luciana Azevedo, 43.
Na sociedade que as entrevistadas imaginam, mulheres negras que não quisessem engravidar seriam respeitadas nessa escolha. As que optassem pela gravidez poderiam decidir o melhor momento e viver a gestação e o parto em paz, sem procedimentos dolorosos desnecessários.
Bárbara Carine, porém, precisou se mobilizar para conseguir uma equipe inteiramente negra em seu parto. Isso porque mulheres negras são as principais vítimas de violência obstétrica, segundo a pesquisa "Nascer no Brasil", coordenada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).




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