Editora-chefe de PEGN, Mariana Iwakura, com Décio Pecin, do Grupo CNA; Tom Moreira Leite, do Grupo Trigo e da ABF; e Andrea Kohlrausch, da Calçados Bibi Keiny Andrade/Ed. Globo Expansão de multifranqueados, estratégias de crescimento, inteligência artificial …
Expansão de multifranqueados, estratégias de crescimento, inteligência artificial e governança foram os temas debatidos no PEGN Labs, realizado na terça-feira (15), em São Paulo (SP). O evento de conteúdo de Pequenas Empresas & Grandes Negócios ocorreu durante o 3º Congresso Somos Multi 2026, que reuniu 1.105 franqueados e profissionais do franchising no Nubank Parque.
A avaliação das franqueadoras sobre o multifranqueado e como as redes estão incentivando empreendedores a abrirem novas lojas foi o assunto de um painel que reuniu Grupo Trigo, Calçados Bibi e CNA. “Existia um receio de o franqueado virar maior do que a franqueadora. Hoje queremos dar oportunidade para bons franqueados crescerem conosco”, disse Tom Moreira Leite, presidente da holding que detém as marcas Casa do Pão de Queijo, China in Box, Gendai, Koni e Spoleto e da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Da base de 500 franqueados do Grupo Trigo, metade tem mais de uma unidade.
A Calçados Bibi passou por movimento semelhante. Segundo a presidente, Andrea Kohlrausch, a rede costumava recusar propostas de expansão por acreditar que os franqueados teriam dificuldade para operar mais de uma unidade longe da cidade onde moravam. Hoje, 60% da base é formada por multifranqueados, e 30% deles operam exclusivamente lojas da marca.
No Grupo CNA, nove em cada dez franquias repassadas são adquiridas por quem já faz parte da rede, atualmente com 764 unidades. Para Decio Pecin, CEO da empresa, a capacidade de adaptação é um dos principais fatores que diferenciam os operadores de melhor desempenho. “Não pode mais ficar atrás do balcão esperando aluno. Precisa fazer marketing, boa gestão de pessoas, ser líder inspirador e gerir processos”, disse.
Na discussão voltada a crescimento, as práticas de gestão foram destaque. O debate reuniu Denis Santini, fundador do Grupo MD e CEO da CommUnit, que é organizadora do Somos Multi; Fernanda Theodoro, franqueada da Sodiê Doces; e Divaney Lima, multifranqueado de marcas como Malwee, Panobianco e Usaflex.
Santini afirmou que um dos principais desafios das operações diárias é aprender a delegar. Para ele, descentralizar decisões, construir uma relação de confiança com a equipe e acompanhar de perto os indicadores financeiros, especialmente o fluxo de caixa, são pontos essenciais. Nas decisões operacionais, Theodoro destacou o peso das escolhas estratégicas, como a localização das unidades. Lima contou como a experiência na gestão de múltiplos pontos de venda o ajudou a diversificar para atravessar períodos críticos, como a pandemia.
O avanço da inteligência artificial também teve espaço na programação, em uma conversa com Ana Claudia Cabral, CEO e fundadora da Baruk; Gustavo Soares, multifranqueador de marcas como Anjos Colchões e Sofás e Cresci e Perdi e fundador da Loja360; e Fernanda Rimbano, diretora de TI, dados e IA Officer da BFFC, dona do Bob’s.
Os painelistas alertaram para o risco de se encantar com as ferramentas e perder de vista sua utilidade prática. Para Rimbano, é preciso compreender o problema do negócio e só então avaliar se a IA pode ajudar a resolvê-lo. Na avaliação dos participantes, os próximos dois anos exigirão que franqueados tenham bases de dados organizadas para a aplicação da tecnologia. Cabral acrescentou que lidar com grandes volumes de informação tende a se tornar parte da rotina do mercado, abrindo espaço para que os próprios profissionais automatizem processos sem depender constantemente de suporte técnico.
Em um quarto painel, governança e sucessão foram os temas de uma discussão com Jandaraci Araújo, executiva, conselheira de administração e cofundadora do Instituto Conselheira 101; Glauber Gentil, CEO da Gentil Negócios, que tem mais de 140 operações do Grupo Boticário; e Helio Xavier Filho, multifranqueado da Chiquinho Sorvetes.
Segundo Araújo, a governança começa pelos valores da organização. Para ela, transparência, ética e critérios claros de decisão são fundamentais para a perpetuidade do negócio. Gentil destacou como os acordos devem surgir antes do surgimento de impasses entre os sócios. “Cada um sabendo seu papel, a gente protege a empresa”, concordou Xavier. Sobre processo sucessório, Araújo ressaltou que o primeiro nome nem sempre é a melhor escolha. “Muitas vezes, não é a pessoa óbvia. Às vezes, vem um primo da segunda ou terceira geração que está pronto para tocar a operação”, afirmou.
O PEGN Labs tem apoio institucional de São Paulo Negócios e Prefeitura de São Paulo.




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