Após o anúncio de reajuste do valor do Bolsa Família, o candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro (PL), classificou a medida como um “ato de desespero” e clamou que os eleitores “não caiam em mais uma falsa promessa”. O reaju…

Após o anúncio de reajuste do valor do Bolsa Família, o candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal, Flávio Bolsonaro (PL), classificou a medida como um “ato de desespero” e clamou que os eleitores “não caiam em mais uma falsa promessa”. O reajuste já foi publicado no Diário Oficial e é válido a partir de outubro.

Em comício em Vitória da Conquista, na Bahia, Flávio comparou o poder de compra do benefício durante o governo Lula e o governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Eu vou olhar para frente porque eu quero ajudar pessoas como você, que recebem Bolsa Família, mas precisam complementar a renda, porque os R$ 600 hoje não compram mais o que compravam, né, no governo do presidente Bolsonaro. E não caiam em mais uma falsa promessa. Porque o Lula, num ato de desespero, acabou de fazer um decreto, mesmo sabendo que ele negava o que foi pedido durante as eleições”, declarou o senador.

Às vésperas da eleição e em desvantagem em relação a Flávio Bolsonaro em algumas pesquisas, o governo do presidente Lula anunciou nesta quinta-feira (17) um reajuste de 15,04% no Bolsa Família, que elevará o piso do programa dos atuais R$ 600 para R$ 691. O benefício médio, considerando os demais benefícios, passará de R$ 675 para R$ 777, uma variação nominal de cerca de R$ 100.

Flávio destacou o “timing” da medida. “[Lula] Fez uma coisa que não fez em quantos anos de governo. E, faltando 17 dias para a eleição, ele acha que vai ganhar alguém dando reajuste no Bolsa Família. Ele sabe que isso não pode. Mas eu não me desespero, porque ele sabe que está perdendo”, completou.

O candidato participa nesta quinta-feira de agendas em Vitória da Conquista, na Bahia ao lado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), e de Ângelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), candidatos pela Bahia ao Senado. Antes da Bahia, Flávio esteve no Ceará e em Pernambuco em uma rodada pela região Nordeste.

Historicamente lulista, a região é estratégica para a campanha de Flávio e há um esforço para reduzir a diferença para Lula no local. Mais cedo, ao chegar no Aeroporto Pedro Otacílio Figueiredo, o candidato afirmou que os nordestinos se decepcionaram com Lula. “Eu estou percebendo claramente a grande decepção do povo do Nordeste, dos nossos irmãos nordestinos, com o governo Lula. Alguém que prometeu e não entregou nada. E essa percepção está se transformando em mais pessoas caminhando junto com a gente”, afirmou a jornalistas. “Lula virou um produto fadigado. Ele prometeu, gerou uma expectativa gigante e não entregou. E aqui na Bahia o governo do Estado é a mesma coisa. As facções estão dominando tudo quanto é lugar”, completou.

Flávio voltou a levantar os dois temas mais explorados por sua campanha, a segurança pública e o endividamento da população. “A Bahia tem uma grande oportunidade de finalmente virar uma triste fase na sua história. Há 20 anos a Bahia é governada pelo PT e, com certeza, a segurança piorou muito. Está todo mundo endividado, ninguém consegue pagar uma prestação mais, até de uma geladeira que tenha comprado”, declarou Flávio Bolsonaro.

Como o Valor mostrou, articuladores da campanha de Flávio atribuem o crescimento do candidato nas pesquisas eleitorais, para além da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), à redução da diferença para Lula no Nordeste e à melhora do desempenho entre as mulheres. Para a reta final da campanha até o primeiro turno, o candidato do PL irá intensificar as agendas no Sudeste como estratégia para melhorar o desempenho na região que comporta o maior colégio eleitoral do país.

O Nordeste esteve entre os focos recentes da estratégia eleitoral de Flávio que cumpriu uma série de agendas na região. A melhora de seu desempenho no local é associada internamente à atuação do vice, Alfredo Gaspar (PL). Ele é de Alagoas, tem feito agendas com Flávio e concentrado seus discursos na segurança pública e combate à corrupção, sendo bem-recebido pelo eleitor.

Apesar de estar atrás de Lula na região, aliados de Flávio veem com otimismo os dados de desaprovação regional do atual governo. Na Quaest divulgada em 7 de setembro, esse índice no Nordeste chegou a 35%, ante 29% em julho, uma alta de seis pontos percentuais.