Eduardo Rodrigues é CEO da UpHill Health (sistema de IA na saúde já activo em mais de 500 unidades hospitalares), que propõe um “piloto automático” para os médicos terem mais tempo para o doente.
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
O serviço de urgências no futuro, como é que tu vês? Uma coisa muito mais pequenina, mais acessível, mais fácil?
Sem dúvida, mais pequeno, com muitas das situações a serem tratadas em casa, com interface simples por chat, por voz, a recebermos as terapêuticas diretamente no nosso telefone sem termos que ir ao serviço de urgência. Portanto, os hospitais vão evoluir para ser centros onde se fazem muitos procedimentos, mas onde as pessoas passam muito pouco tempo para entrar e para ficar lá internados.
Porque é que se espera tanto nas urgências? Porque é que, apesar do investimento contínuo ao longo das últimas décadas, os cidadãos continuam insatisfeitos com os cuidados de saúde que recebem? Será que os doentes estão preparados para ser atendidos por um médico robô? Como será um serviço de urgências daqui a 10 anos? Como é que será o hospital do futuro? Comigo está Eduardo Freire Rodrigues. Ele é médico, empreendedor e professor de saúde digital, cofundador e CEO da Uphill Health, uma empresa de inteligência artificial na saúde, o único sistema certificado como dispositivo médico na União Europeia a fazer a orquestração de cuidados de saúde, presente em Portugal e Espanha, e a expandir-se para mais países europeus. Esta empresa portuguesa, formada há 11 anos por médicos do SNS, combina a engenharia e a medicina, e não se destina a substituir profissionais, mas vai inevitavelmente transformar a forma como os cuidados de saúde são organizados e são prestados. É mais uma prova que o nosso país está na linha da frente para aproveitar a oportunidade da automatização na saúde, uma vez que temos uma boa parte do sistema de saúde já digitalizado, ao contrário de países como a Alemanha ou a Suíça. Será que tudo isto não vai impactar negativamente a tão importante humanização da medicina? Olá, Eduardo, e bem-hajas por ter aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.
Olá, João Paulo, é um gosto estar aqui.
É um grande prazer também estar a falar contigo. É muito curioso porque tu tens 35 anos, és um destes rostos do health tech, esta saúde digital, líder de mercado em Portugal e em Espanha. Desde pequenito que tecnologia era um ponto torto para ti.
Sempre foi um sonho criar. Ou seja, eu sempre gostei de fazer coisas existirem. E embora tivesse ao mesmo tempo um gosto enorme pela medicina, por saber como é que o corpo humano funcionava, é muito difícil ser médico e efetivamente construir algo. Portanto, o trabalho médico acaba por ser muitas vezes repetitivo, ou seja, fazemos muitas vezes os mesmos procedimentos, os mesmos diagnósticos. E, portanto, a tecnologia permitia-me combinar aquilo que era a minha vontade de criar e obviamente a medicina sempre aguçou a minha curiosidade.
Tu tinhas médicos na família, já vens daí ou não?
Eu não tinha médicos na família, mas a minha mãe é farmacêutica, o meu pai é psicólogo e, portanto, de alguma maneira a saúde estava na família.
Tu tiveste, entretanto, um ano em gestão, porque tu também gostas da parte do empreendedorismo e da engenharia. Tu hoje és mais gestor do que médico.
Hoje em dia, sim, mas a verdade é que eu não fui para medicina à primeira. Eu não entrei na faculdade à primeira e por isso é que fui para gestão. Eu sempre quis ir para medicina. No entanto, por força das circunstâncias, nessa altura falhei um pouco os meus objetivos e acabei por entrar numa segunda vez e nesse período tinha muito boas notas, entrei com bolsa na Católica e fiz gestão. E também despertou em mim uma curiosidade imensa.
Não foi tempo perdido.
Não, de modo nenhum. Pelo menos que eu aprendi na Católica.
Muito bem. Tiraste então em medicina. Alguns no teu curso passaram por Paris também. Por quê? Foi um Erasmus, uma coisa assim?
Foi um ano fora, em Erasmus, em Paris, e foi crítico para a minha formação e para também a decisão de fundarmos a Uphill.
Apercebeste-se de algumas faltas e de algumas lacunas.
Muito daquilo que era o caos que nós víamos em Portugal, as lacunas que víamos em Portugal, nós pensávamos que era um problema português, e nós temos essa tendência. Nós temos a tendência de pensar: "Em Portugal, nós somos portugueses e Portugal, isto é um problema".
Lá fora é que é bom.
Lá fora é que é bom. Também de fora é que é bom. E embora a medicina em França seja ótima e haja universidades e hospitais fantásticos, a verdade é que o caos era o mesmo, a complexidade era a mesma, a fragmentação de cuidados era a mesma, os doentes esperavam o mesmo tempo na urgência ou até mais. E portanto, foi para eu perceber: "Não, isso é um problema global".
Exatamente. Depois fizeste uma pós-graduação em investigação clínica em Harvard, na Harvard Medical School.




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