Lavar a louça, por exemplo, pode ser uma tarefa feita em conjunto (Foto - Reprodução) Quem mora com outra pessoa sabe que manter uma casa funcionando envolve muito mais do que cozinhar, limpar ou colocar roupas para lavar. Alguém precisa lembrar que o papel higiênico está acabando, marcar a consulta médica, organizar os compromissos da semana, pensar no que será preparado para o jantar e perceber, antes mesmo de alguém [...] O post Não é só lavar a louça: estudo mostra
Quem mora com outra pessoa sabe que manter uma casa funcionando envolve muito mais do que cozinhar, limpar ou colocar roupas para lavar. Alguém precisa lembrar que o papel higiênico está acabando, marcar a consulta médica, organizar os compromissos da semana, pensar no que será preparado para o jantar e perceber, antes mesmo de alguém pedir, o que está faltando.
Esse trabalho, muitas vezes invisível, pode ter um peso importante na vida a dois. A pesquisa ‘Uma análise da divisão do trabalho doméstico e da qualidade dos relacionamentos sob a perspectiva da carga tripla’, foi publicada em julho de 2026 na revista Scientific Reports da Universidade de Queensland, na Austrália. O estudo analisou 235 casais que moravam juntos e encontrou uma relação entre a forma como as responsabilidades domésticas são percebidas pelos parceiros e a qualidade do relacionamento.
O estudo propõe olhar para o trabalho doméstico a partir de três dimensões. A primeira é a mais conhecida: o trabalho físico, que inclui tarefas como lavar, limpar e cozinhar. A segunda é a carga cognitiva, formada pelo esforço de pensar, planejar, lembrar, organizar e agendar tudo o que é necessário para manter a casa e a rotina da família funcionando. A terceira dimensão é a carga emocional, relacionada a antecipar necessidades, cuidar, confortar e oferecer apoio emocional às pessoas da casa.
Na prática, isso significa que uma pessoa pode não estar lavando mais pratos do que a outra, mas ainda assim carregar uma parcela maior da responsabilidade pelo funcionamento cotidiano da família. É quem lembra do aniversário de um parente, percebe que é preciso marcar uma consulta para o filho, organiza a lista de compras ou pensa com antecedência em como resolver os problemas da semana.
Os pesquisadores chamam esse conjunto de responsabilidades de “tri-load”, ou carga tripla, justamente porque o trabalho doméstico não se resume às atividades físicas que podem ser facilmente observadas.
A pesquisa encontrou ainda uma diferença importante na forma como homens e mulheres percebiam essa divisão. Segundo os resultados, as mulheres relataram assumir quase 25% a mais do trabalho relacionado a pensar, planejar e organizar a rotina da casa e os compromissos familiares do que seus parceiros reconheciam.
Embora a desigualdade tenha aparecido nas três dimensões analisadas, ela foi mais evidente justamente na carga cognitiva, aquela que dificilmente pode ser medida olhando apenas para quem está executando uma tarefa naquele momento.
Mas o resultado mais interessante do estudo não está apenas em descobrir quem faz mais. Os pesquisadores também investigaram o que acontece quando duas pessoas em um mesmo relacionamento têm percepções diferentes sobre como as responsabilidades são divididas. A conclusão foi que quanto maior a diferença entre a visão dos parceiros sobre a divisão do trabalho doméstico, pior tendia a ser a qualidade percebida do relacionamento.
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