Temor com inflação antes da super-quarta, queda do minério e tensão política também estão entre os fatores para aversão a risco do mercado The post Não é só o temor com IA: o que faz o Ibovespa cair 1,5% e o dólar subir nesta segunda appeared first on InfoMon…

O Ibovespa teve uma sessão de queda expressiva nesta segunda-feira (14), ainda que fechando longe das mínimas registradas no início da sessão, quando foi abalada pelas declarações de grandes executivos do setor de inteligência artificial sobre o futuro da tecnologia, enquanto outros fatores externos e domésticos também abalaram o pregão.

O índice fechou o pregão em queda de 0,91%, a 185.500,88 pontos, após ter batido uma mínima de 183.813 pontos, ou baixa de 1,81%. Um dos fatores para o índice ter amenizado a queda foi a desaceleração da alta do petróleo, em meio a relatos de negociações entre Estados Unidos e Irã, segundo autoridades paquistanesas. O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar hoje que o Irã quer fechar um acordo “com urgência”, o que foi negado pelo Irã. Contudo, poucos minutos antes do fechamento, o índice chegou a ter perdas ainda menores, operando acima dos 186 mil pontos. O dólar subiu quase 0,5% e encostou nos R$ 5,15, mas também fechou longe das máximas.

Mais cedo, a grande questão ficou com a reação do mercado após líderes da OpenAI e da Anthropic defenderem uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia para gerenciar os riscos e proteger a humanidade.

As negociações relacionadas à IA impulsionaram grande parte dos ganhos no mercado acionário global desde que a OpenAI lançou o ChatGPT em 2022, mas, mais recentemente, ataques cibernéticos por agentes de IA rebeldes e o descontentamento público com a ⁠construção de centros de dados aumentaram a oposição ao ​desenvolvimento do setor.

No Japão, a fabricante de chips de memória Kioxia despencou 9,8% inicialmente, enquanto a empresa da cadeia de suprimentos de chips ⁠Tokyo Electron registrou queda de 3,7%. O Nasdaq futuro caía mais de 1%.

As preocupações com os juros também estão no radar dos investidores. Olhando para o calendário econômico, a expectativa é de que o Federal Reserve aumente sua taxa de juros na quarta-feira (16) e faça pelo menos mais um aumento até o final de março, de acordo com a maioria dos economistas consultados pela Reuters.

Atividade recuou e inflação arrefeceu, mas incertezas e pressões altistas para a inflação dividem mercado sobre próximos passos da autoridade monetária.

O banco central dos EUA anunciará sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília) de quarta-feira, após o término de dois dias de reuniões. Os mercados financeiros apostam fortemente que as autoridades do Fed elevarão a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%.

Já por aqui, a projeção é de que o Banco Central reduzirá a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva também na quarta-feira, segundo pesquisa da Reuters com economistas, em meio a uma moderação na inflação que oferece uma margem de manobra limitada.

A 14,00%, a Selic é uma das taxas de juros mais altas do mundo entre as principais economias.

O Comitê de Política Monetária (Copom) também deverá continuar enfatizando uma postura restritiva diante das persistentes pressões inflacionárias e do alívio recente na inflação, disseram analistas.

Analistas estarão atentos à forma como o BC descreve a atual desaceleração econômica conforme avaliam as expectativas de mais afrouxamento monetário após a eleição presidencial de outubro, mostrou a pesquisa. A previsão é de que o Copom reduza a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual no dia 16 de setembro, de 14,00% para 13,75%, segundo 48 dos 51 economistas consultados entre 8 e 14 de setembro.

O noticiário político-eleitoral também segue como destaque. Em relação ao STF, no fim de semana o presidente Edson Fachin chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que irá a julgamento no plenário da corte na próxima terça-feira.

Ele também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master na corte para o dia 23.

Bolsas recuam com preocupações sobre IA e alta do petróleo

Enquanto isso, o mercado repercute as diversas pesquisas eleitorais.

A mais recente, a Quaest/O Globo, divulgada depois da abertura do mercado nesta segunda-feira, mostrou que senador Flávio Bolsonaro (PL) tem dois pontos percentuais de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno entre ambos, ainda em cenário de empate técnico.

De acordo com o levantamento, Flávio aparece com 42%, enquanto Lula soma 40%. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os dois permanecem em empate técnico.

A pesquisa mostrou ainda que Lula mantém a liderança na simulação de primeiro turno, mas com uma vantagem menor. Ele manteve os 36% da pesquisa anterior, ao passo que Flávio tem agora 31%, ante 29%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, ante 8%, e nenhum outro candidato ultrapassa a marca de 4%. A Quaest ouviu 2.003 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro.

Cabe ressaltar que, na sexta-feira, nova pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno na eleição presidencial de outubro se manteve.