Questionado sobre o impacto do aumento de juros dos Estados Unidos para o Brasil, o diretor de política monetária do Banco Central (BC), Nilton David, disse nesta quarta-feira (23) que não espera grandes solavancos no real devido o "estágio" da política monet…
Questionado sobre o impacto do aumento de juros dos Estados Unidos para o Brasil, o diretor de política monetária do Banco Central (BC), Nilton David, disse nesta quarta-feira (23) que não espera grandes solavancos no real devido o "estágio" da política monetária brasileira. David participou do evento J. Safra Investment Conference 2026, promovido pelo Banco J. Safra, em São Paulo.
Ele foi convidado a comentar a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano, na semana passada. No mesmo dia (16) Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) elevou a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, para uma faixa entre 3,75% a 4,0% ao ano.
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O diretor defendeu que é natural os Estados Unidos se tornarem um atraidor de capital quando decide aumentar os juros, por causa da sua característica de estabilidade na inflação e produtividade.
"É natural que haja uma propensão maior a ter ativos deste país [EUA]. Poderia ser um fortalecedor do dólar? Deveria, é o que as pessoas imaginam. O fato é que hoje, por conta do estágio da nossa política monetária, que demanda juros mais altos do que em outros momentos por conta da desancoragem [das expectativas de inflação], esse nível de juros que os EUA estão indo agora [...] faz com que o real seja um pouco menos sensível do que seria em outros momentos", disse.
"Eu não esperaria grandes solavancos aqui na nossa moeda", acrescentou.
David disse que o nível de juros dos EUA está bem diferente do registrado nos últimos 15 ou 20 anos. Para o diretor, o período de 2008 até a pandemia de covid-19 (2020) foi atípico para as taxas, devido à grande crise financeira (2008), com "destruição enorme" do capital dos bancos e regras americanas para conter a alavancagem do sistema financeiro.
"O mercado financeiro foi encontrando as suas artérias para ter crédito e outras formas de alavancar o sistema financeiro sem passar pelos balanços dos bancos. E durante todo esse processo, a velocidade do dinheiro despencou, a atividade caiu, a gente teve juros reais negativo nos EUA por uma década", disse David.
Segundo o diretor do BC, houve uma normalização mais recente do nível das taxas, posterior à pandemia de covid-19. "Não há um ineditismo. Já estamos há três ou quatro anos com os juros americanos flertando esse nível que estamos vendo agora", disse David.
Durante o evento do J.Safra, David afirmou ainda que medidas que estão em estudo pela autoridade para melhorar a oferta de crédito visam dar mais transparência, mapear os riscos, alinhar os incentivos e mitigar a possibilidade de riscos sistêmicos.
Ele disse que as medidas são macroprudenciais e não se confundem com a política monetária. "Tudo está sendo concebido e pensado olhando as experiências e legislações vigentes em outras jurisdições, em outros países. O objetivo é mitigação de riscos sistêmicos, alinhamento de incentivos e transparência", disse David.
As declarações reforçam o que foi dito na última ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que defende a necessidade de se combater o endividamento das famílias.
As diretrizes são o "o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores".


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