Luciano Chaves Boeira explica, em entrevista ao Live CNN, estado de alerta no RS após alagamentos em Lajeado e prevê retorno das chuvas na próxima semana
Compartilhar matériaRuas e avenidas do município de Lajeado (RS) ficaram alagadas após o Rio Taquari atingir a cota de inundação na manhã desta quarta-feira (22), com mais de 22,5 metros.
Em entrevista ao Live CNN desta quinta-feira (23), o coronel Luciano Chaves Boeira, coordenador estadual de proteção e defesa civil do Rio Grande do Sul, destacou que houve uma melhora das condições meteorológicas na região leste do estado e que há a previsão de tempo firme na região.
"O que não significa que nós podemos baixar a guarda em relação ao nosso monitoramento", afirmou.
Segundo ele, um aviso hidrometeorológico havia sido emitido há cerca de oito dias, antecipando um período de oito a dez dias de chuvas intensas no estado.
"E, infelizmente, acabou se concretizando. Nosso monitoramento indicava que nós teríamos diferentes impactos em diferentes regiões aqui no Rio Grande do Sul", afirmou. Ele destacou que as previsões se confirmaram com tempestades, rajadas de vento, granizo e grandes volumes de chuva em pouco tempo.
Boeira relatou que, durante os últimos dias, alguns municípios gaúchos registraram cerca de 200 milímetros de chuva em menos de 24 horas, especialmente na cabeceira da bacia do Rio Taquari. "Onde nos traz mais preocupação, em razão da dinâmica e velocidade do rio", explicou.
Apesar da melhora gradual, Boeira ressaltou que o monitoramento aponta para o retorno das chuvas ao Rio Grande do Sul já na semana que vem. Segundo o coordenador da Defesa Civil, ainda há incertezas no que diz respeito às regiões afetadas e ao volume dessas novas chuvas.
"A informação que tínhamos ontem (quarta-feira) era que os volumes poderiam ficar em torno de 120 milímetros. Hoje, esse dado já reduz um pouco, para 80 ou 90 mm", destacou Boeira.
A região Nordeste Gaúcha foi indicada por Boeira como a que provavelmente voltaria a sofrer com as precipitações. "Temos que manter os municípios mobilizados e a informação o mais atualizada possível e trabalhar no que diz respeito às chuvas recentes", observou.
Os municípios localizados na parte mais alta já apresentam redução nos níveis, mas o município de Taquari, na parte mais baixa da bacia, ainda registrava elevação na manhã desta quinta-feira. Boeira indicou que a expectativa é de estabilização a partir da tarde de quinta e madrugada de sexta-feira (24).
O coordenador informou que, até a manhã desta quinta-feira, aproximadamente 1.200 pessoas se encontravam fora de suas residências, entre desalojadas e desabrigadas, a maioria delas na região do Vale do Taquari.
Com a estabilização e a subsequente redução dos níveis do rio, a expectativa é de que esse número diminua já na sexta-feira. "Nos próximos dias, provavelmente nós já tenhamos poucas pessoas em abrigos ou em condição de desalojados", afirmou Boeira.
Boeira destacou que, durante as enchentes de 2024, o nível do rio Taquari, na divisa dos municípios de Estrela e Lajeado, chegou a 24 metros, enquanto a cota de inundação é de 19 metros.
"Desta vez, os níveis não atingiram nem próximo àquela inundação que nós tivemos, mas precisamos ficar atentos porque estamos em um ano de El Niño, que sempre traz preocupação para o Rio Grande do Sul", disse.
Ele explicou que a catástrofe de 2024 foi resultado de uma combinação de fatores, incluindo um bloqueio atmosférico, o próprio fenômeno El Niño, o aquecimento do Oceano Atlântico e o solo já saturado pelas chuvas de 2023.
Na ocasião, 95% dos municípios gaúchos, cerca de 478 dos 497, foram afetados.


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