RJ terá desconto, prazo maior e juro zero para pagar suas dívidas com a União, uma desmoralização do esforço dos poucos Estados e governadores dispostos a manter as contas em dia
O Rio de Janeiro aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), medida do governo federal para aliviar os governos regionais. Com o acordo, a parcela a ser paga pelo Estado à União cairá de R$ 436 milhões para R$ 119 milhões, mas crescerá gradualmente ao longo de cinco anos. A “sobra” deverá ser investida em ações na área de educação, infraestrutura e segurança pública. O prazo para quitar a dívida será estendido em quatro anos, até 2056, e os juros serão reduzidos de 4% ao ano para zero. É isto mesmo: o passivo será corrigido apenas pela inflação, um negócio que somente um pai faria pelo filho.
Em clima de campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o pacto e disse que o dinheiro poupado pelo Estado servirá para “libertar meninas e meninos do crime organizado”. O otimista secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, foi além. “Hoje se resolve definitivamente o problema (do endividamento) do Estado do Rio de Janeiro”, disse ele, em tom triunfalista. Animado, o novato governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, garantiu, há algumas semanas, que o Estado tem solução, e que ela é “fácil, fácil”.




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