O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse que, enquanto for presidente, nenhum governo estrangeiro vai intervir no país. "Enquanto eu for presidente, nenhum governo estrangeiro vai meter o bedelho neste país", disse em discurs…

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, disse que, enquanto for presidente, nenhum governo estrangeiro vai intervir no país. "Enquanto eu for presidente, nenhum governo estrangeiro vai meter o bedelho neste país", afirmou em discurso neste sábado (29), durante o evento Mulheres com Lula, realizado em Belo Horizonte.

O presidente disse que, se for reeleito, vai investir mais em educação, para promover o desenvolvimento econômico do país.

"Agora, o meu compromisso é a gente melhorar a educação, mais matemática, mais inteligência artificial, mais engenharia digital. Nós vamos fazer com que os filhos de vocês sejam tão importantes como dizem que são os chineses, os americanos. Nós não devemos nada para ninguém. O que nós temos é que dar educação para os nossos filhos para a gente poder funcionar competitivo. A gente não quer só exportar soja, minério de ferro, milho. A gente quer exportar conhecimento e inteligência que o nosso povo tem demais", afirmou Lula.

O candidato prometeu investir no aumento da oferta de escolas em tempo integral para ensino fundamental e médio. "Ao terminar o meu mandato, o Brasil será considerado um país desenvolvido. Não vai dever nada à China, nada a ninguém", acrescentou.

Violência contra a mulher

Durante o evento, Lula também prometeu lutar contra o feminicídio. "Nós assumimos a responsabilidade de transformar o Brasil no país em que a gente vai deixar o feminicídio como coisa do passado", disse.

Lula disse que pretende assegurar uma política para que mulheres tenham uma "vida livre de violência e saudável". "Garantir que as mulheres tenham a oportunidade para escolher a vida que elas quiserem, a profissão que elas quiserem, e enfrentar a violência contra a mulher. Afinal, em 2026, [com] o pacto nacional contra o feminicídio, pela primeira vez na história do Brasil, os três Poderes agem de forma articulada para enfrentar a violência contra a mulher", afirmou.

Ele disse que, antes do pacto, a mulher demorava 16 dias para ser atendida quando pedia medida protetiva para se resguardar de violência doméstica. Hoje, segundo ele, a resposta leva no máximo três dias. Ele acrescentou que o governo criou 13 Casas da Mulher Brasileira, para acolhimento de mulheres vítimas de violência, e há mais 31 em fase de implementação ou obra. Além disso, 14 centros de referência da mulher brasileira foram entregues e há outros 17 em obras.

Lula também destacou a compra pelo governo de 1,8 milhão de unidades de contraceptivo de longa duração para entrega pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e a inauguração de três hospitais da mulher, no Piauí, em Pernambuco e na Paraíba, entre outras medidas. Ele citou ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, como mecanismo de proteção de crianças na internet.

Lula disse que a participação de mulheres em cargos de gestão no governo chega a 38%, contra 29% na gestão anterior, mas ainda é pouco. "Nós precisamos chegar a 50% ou mais", disse ele, que também conclamou o público feminino a votar em mulheres e defendeu maior presença feminina na política.

Em um momento do discurso, Lula se confundiu e chamou sua falecida esposa, Marisa Letícia Lula da Silva, de Janja, apelido de sua atual companheira, Rosângela Silva. "Perdi a Janja depois de 45 anos de casado", afirmou. Após ser alertado pelo público, Lula corrigiu a fala. "Quando pensei que minha vida não tinha mais sentido, Deus colocou no meu caminho a Janja, que me faz ser um homem pleno", prosseguiu.

'Mulheres com Lula'

O evento, com duração de cerca de quatro horas, teve a maior parte do tempo dedicado a discursos de candidatas ao Senado de diferentes Estados e a ministras do governo Lula.

O PT divulgou um vídeo da primeira-dama Janja, no início do evento, no qual ela ressalta a importância das mulheres na política. "Somos a maioria da população brasileira. Somos a maioria do eleitorado. Somos as guardiãs da democracia", afirmou.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, disse que a criação do ministério representa um reconhecimento de que as mulheres são protagonistas na democracia. Ela observou que no governo Lula foram sancionadas 80 leis em defesa da mulher e disse que o serviço Ligue 180, para denunciar crimes de violência contra mulheres, atendeu mais de 1 milhão de pessoas em 2025 e continua crescendo. "Agora estamos formulando o Plano Nacional de Política para as Mulheres. Queremos as mulheres decidindo os rumos das políticas que transformam as suas próprias vidas", disse a ministra.

A secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, disse que, em quase 200 dias de vigência do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, os casos de feminicídio tiveram redução de 15% no país. Além disso, cerca de 40 mil agressores foram presos no período.

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o governo fez mais de 10 Casas da Mulher Brasileira e que foram feitas 30 creches em terrenos da União. "E já foram mais de 50 terrenos para o Minha Casa, Minha Vida, para mais de 8 mil famílias, e quase todas são entregues para mulheres", disse.

Segundo a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, 2,1 milhões de casas foram entregues no âmbito do Minha Casa, Minha Vida, com os imóveis em nome de mulheres. E acrescentou que há 3,5 mil creches e escolas em construção no Novo PAC. "Estamos falando também de devolver tempo, tranquilidade, segurança e liberdade para todas as mulheres”, afirmou a ministra.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, declarou que as mulheres chegam a trabalhar 64 horas por semana, se somar o emprego e o trabalho doméstico. "Precisamos vencer a batalha contra a escala 6x1 e estamos lutando para isso. Vamos conquistar o direito do trabalho digno, do descanso, do lazer, do fazer cultural, do fazer político, ocupar novos espaços de decisão", disse.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, disse que as mulheres já são maioria a receber bolsas de iniciação científica do CNPq e destacou a decisão do governo de estender o prazo para conclusão de trabalhos científicos para cientistas que se tornam mães no decorrer dos estudos.