Em um cenário de maior fragmentação da economia global, a capacidade de manter uma posição de neutralidade e estabilidade na relação com diferentes parceiros é uma das principais vantagens do Brasil, afirmou o presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de P…
Em um cenário de maior fragmentação da economia global, a capacidade de manter uma posição de neutralidade e estabilidade na relação com diferentes parceiros é uma das principais vantagens do Brasil, afirmou o presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Laudemir Müller, em Nova York.
Na área de minerais críticos, Müller disse que uma das principais demandas dos investidores, a existência de um marco jurídico e regulatório, está “bem endereçada”, embora ainda seja necessária a regulamentação. Segundo ele, o país precisa agora atrair capital e tecnologia para desenvolver a cadeia de processamento. O projeto nacional de minerais críticos foi sancionado na semana passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Müller participou do “Fireside ApexBrasil - Promoção do Brasil em tempos de instabilidade e fragmentação produtiva”, no Fórum Agenda Global 2026, iniciativa do Valor Econômico e da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), realizado na cidade norte-americana.
Ao falar sobre as mudanças no cenário internacional, Müller afirmou que Brasil e Estados Unidos passaram muito tempo trabalhando pelo multilateralismo, pela abertura de mercados e pela redução de barreiras, em um ambiente de maior estabilidade das regras internacionais. “A realidade não é mais essa”, disse. Segundo ele, 5.600 empresas brasileiras foram atingidas por aumentos de tarifas, muitas delas em 37,5%.
Apesar das tarifas impostas pelo segundo maior parceiro comercial do Brasil, Müller destacou que o país registrou o melhor agosto de sua história nas exportações e somou US$ 250 bilhões em vendas externas entre janeiro e agosto.
Segundo ele, o Brasil perdeu US$ 2,6 bilhões em exportações para os Estados Unidos e US$ 2,2 bilhões para a Argentina, mas ganhou US$ 10 bilhões em vendas para a China, US$ 3,6 bilhões para a Índia e US$ 5 bilhões para a Europa.
Müller afirmou que a diversificação de mercados passou a fazer parte da estratégia brasileira, embora os Estados Unidos continuem sendo um mercado importante. “A Apex Brasil continua investindo pesado, mas a nossa principal estratégia é a diversificação”, afirmou.
Questionado sobre como o Brasil pode se preparar para um cenário internacional que não controla, Müller apontou a estabilidade do país e a capacidade de manter relações com diferentes parceiros.
“Essa grande capacidade que o Brasil tem de ter uma equidistância e de ter uma estabilidade é o que, na minha avaliação, traz uma grande vantagem. Essa é, acho, a nossa principal forma de nos preparar”, afirmou. Segundo ele, essa posição não coloca o Brasil mais próximo da China ou dos países europeus.
Ao tratar especificamente dos minerais críticos, Müller afirmou que o Brasil está aberto a investimentos de diferentes origens, citando australianos, canadenses, americanos, chineses e europeus.
Questionado sobre os principais obstáculos para esses investimentos, o presidente da ApexBrasil afirmou que a demanda por um marco jurídico e regulatório está “bem endereçada”, embora ainda seja necessária a regulamentação. Ele avaliou ainda que uma instância que concentre a análise e a aprovação dos projetos pode dar maior celeridade ao processo.
“Não pode ser só o brasileiro acreditar”
Müller afirmou que o Brasil precisa, agora, de capital e tecnologia. Segundo ele, mineração e cadeia industrial de processamento são atividades distintas, e essa segunda etapa precisa ser construída “quase que do zero” no país. “O que a gente precisa é capital e conhecimento”, disse.
Para Müller, o país não deve tentar desenvolver tudo ao mesmo tempo. Segundo ele, é preciso analisar cada cadeia e cada mineral, considerando suas especificidades, para definir quanto valor o Brasil pretende agregar e quais etapas pretende desenvolver.
“Não pode ser só o brasileiro acreditar”, afirmou. “Sozinho a gente não vai conseguir, mas a gente tem clareza do que a gente quer e a gente conta com todo mundo.”




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