Comunidade internacional condena ditadura na Nicarágua "A Coreia do Norte da América Latina." É assim que o líder opositor Juan Sebastián Chamorro definiu a atual situação da Nicarágua. Nesta quarta-feira (22), o Congresso do país centro-americano iniciou um plano de trabalho para acabar com o processo eleitoral do país, três dias após o presidente Daniel Ortega dizer que "não haverá mais eleições". "Os dias em que partidos apoiados pelos ianques [Estados Unidos]

23/07/2026 03h00 Atualizado 23/07/2026

O Congresso da Nicarágua iniciou nesta quarta-feira (22) um plano para acabar com as eleições no país. A medida ocorre após declarações de Daniel Ortega.

O presidente da Assembleia Nacional, Gustavo Porras, anunciou a votação para excluir a oposição. A medida deve se tornar lei em agosto.

O opositor Juan Sebastián Chamorro chamou o país de "Coreia do Norte da América Latina". Ele afirmou que Ortega tenta criar um sistema de partido único.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, e a ONU criticaram a situação. Eles cobraram o restabelecimento do Estado de Direito.

Comunidade internacional condena ditadura na Nicarágua

"A Coreia do Norte da América Latina."

É assim que o líder opositor Juan Sebastián Chamorro definiu a atual situação da Nicarágua.

Nesta quarta-feira (22), o Congresso do país centro-americano iniciou um plano de trabalho para acabar com o processo eleitoral do país, três dias após o presidente Daniel Ortega dizer que "não haverá mais eleições".

"Os dias em que partidos apoiados pelos ianques [Estados Unidos] e pelos somozistas voltariam ao poder acabaram. Nunca mais", disse Ortega durante um ato comemorativo do aniversário da Revolução Sandinista, que derrubou o regime de Anastasio Somoza em 1979 e o levou ao poder pela primeira vez.

Ortega retornou à presidência em 2007 e, desde então, permanece nessa posição.

O início do processo foi anunciado pelo presidente da Assembleia Nacional, Gustavo Porras. Segundo ele, o Legislativo votará no início de agosto se excluirá os partidos de oposição da participação nas eleições.

"Somos nós, nicaraguenses, que decidimos quando e como realizaremos nossas eleições", disse Porras a veículos de comunicação alinhados ao governo nesta quarta, explicando que a iniciativa será transformada em lei.

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As autoridades eleitorais definirão os "elementos para não deixar sequer uma brecha" nas eleições, a fim de impedir "a terrível manipulação dos impérios e de seus lacaios", disse Porras, em referência aos partidos de oposição.

Nos últimos anos, ocorreram mobilizações massivas no país exigindo reformas democráticas, mas elas foram reprimidas com violência pelo aparato militar do governo.

De acordo com as leis nicaraguenses, novas eleições presidenciais deveriam ser realizadas até o final deste ano, mas, em 2025, o regime de Ortega liderou uma reforma constitucional que adiou o pleito até 2027.

Nessa reforma, Rosario Murillo, esposa de Ortega, também foi declarada copresidente do país.

No entanto, agora as declarações de Ortega sugerem que essa eleição tampouco chegará a ser realizada.

As reações dos opositores não demoraram a chegar.