Layla Vallias coordenou a pesquisa com 3.298 pessoas das classes A, B, C e D Divulgação A inteligência artificial (IA) começa a mudar a relação dos brasileiros de 50 anos ou mais com o mundo da tecnologia. A fatia desse público que se conecta diariamente à in…
A inteligência artificial (IA) começa a mudar a relação dos brasileiros de 50 anos ou mais com o mundo da tecnologia. Em 2026, 17% desse público afirmam utilizar ferramentas de inteligência artificial. O índice chega a 22% entre os integrantes da Geração X e é de 14% entre os Baby Boomers, segundo a pesquisa Tsunami Prateado.
Os dados são da pesquisa Tsunami Prateado, realizada pela Data8, consultoria de pesquisa, tendências e inovação com foco na economia da longevidade.
A pesquisa mostra que a digitalização do público 50+ avançou nos últimos anos. A fatia dessa população que se conecta diariamente à internet subiu de 70% em 2021 para 87% em 2026. No mesmo período, a parcela que permanece off-line caiu de 16% para 6%.
A inteligência artificial passou a ser incorporada ao levantamento mais recentemente, à medida que a tecnologia se tornou mais presente no cotidiano. Por isso, não há, na pesquisa de 2021, um percentual equivalente de uso de IA que permita uma comparação histórica. O dado de 2026 indica, no entanto, que a tecnologia já faz parte da rotina de uma parcela dos brasileiros 50+, ainda que sua adoção seja diferente entre as gerações.
A população dessa faixa etária já fazia uso diário de aplicativos bancários, compras e plataformas de streaming nos últimos anos. O avanço da digitalização, agora acompanhado pela disseminação da IA, amplia os desafios relacionados ao domínio e ao uso seguro da tecnologia.
O recorte sobre digitalização também registrou crescimento no uso de aplicativos de bancos digitais. Segundo a pesquisa, 45% dos brasileiros com 50 anos ou mais utilizam bancos digitais em 2026, ante 17% em 2021. O dado representa um avanço de 165% no período. “Não é mais inclusão digital”, diz Layla Vallias, coordenadora da pesquisa. “Esse avanço muda a natureza do desafio enfrentado pelos 50+, que precisam desenvolver maior domínio e capacidade para lidar com questões como segurança, golpes e desinformação”, disse.
O desafio agora não é incluir os 50+, mas sofisticar o uso que fazem da tecnologia” — Layla Vallias A pesquisa está na terceira edição e, desde 2018, acompanha mudanças nos hábitos de consumo da população 50+. Na edição de 2026, foram realizadas 3.298 entrevistas com homens e mulheres das classes A, B, C e D, em todas as regiões do país, entre 12 de janeiro e 8 de fevereiro. A Data8 foi fundada em 2016 por Cléa Klouri e Layla Vallias, especialistas no comportamento do público maduro.
A adoção da IA, no entanto, traz desafios para um público que nem sempre encontra produtos desenhados para suas necessidades. É o que mostra outra pesquisa desenvolvida no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, que estudou a interação dessa população com chatbots. O trabalho analisou questões de acessibilidade, usabilidade e segurança e resultou em diretrizes para o desenvolvimento de agentes conversacionais voltados a esse público.
Segundo Cynthya Letícia Teles de Oliveira, pesquisadora responsável pelo estudo, muitos serviços digitais ainda são desenvolvidos tendo como referência um usuário geralmente mais jovem e com maior familiaridade tecnológica. Características associadas ao envelhecimento, como limitações físicas, motoras ou cognitivas, acabam não sendo consideradas na concepção dos produtos.
“Muitas vezes a acessibilidade entra como um ‘curativo’ ao final do projeto, de forma muito básica, sem tratar a causa do problema”, afirma Oliveira.
Para a pesquisadora, a chegada da IA torna a questão mais relevante. Ferramentas generativas permitem acesso rápido a uma grande quantidade de informações, mas podem produzir respostas erradas apresentadas de forma convincente. Também existe, segundo ela, receio entre parte dos 50+ de utilizar essas tecnologias por medo de golpes.
O desafio agora não está apenas na disposição dos 50+ para adotar novas tecnologias. Para Oliveira, empresas e desenvolvedores precisam considerar esse público desde a concepção dos produtos, envolvendo usuários mais velhos no processo de criação.




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