"A infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro [Alerj] não é ficção", segundo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Seu colega Gilmar Mendes, decano da corte, disse ter ouvido do diretor da Polícia Federal que "32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho". Leia mais (06/27/2026 - 23h00)
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27.jun.2026 às 23h00
"A infiltração do crime organizado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro [Alerj] não é ficção", segundo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Seu colega Gilmar Mendes, decano da corte, disse ter ouvido do diretor da Polícia Federal que "32 ou 34 parlamentares da Assembleia recebiam mesada do jogo do bicho".
Adversário político do grupo atualmente no comando do Legislativo fluminense, o presidente Lula declarou que, "se a Assembleia tivesse que indicar [o governador do RJ], viria um miliciano".
No centro dos últimos escândalos políticos que levaram o STF a manter até agora o desembargador Ricardo Couto como governador interino –em vez do presidente do Legislativo estadual, Douglas Ruas (PL), como determina a Constituição–, a Alerj é uma espécie de CBF da política: assim como na Confederação Brasileira de Futebol, quase todos os seus dirigentes mais recentes foram afastados e/ou presos após denúncias de malfeitos diversos.
Antes de Ruas, dos cinco presidentes eleitos pelos deputados estaduais para presidir a Casa neste século –Sérgio Cabral (PSDB/PMDB), Jorge Picciani (PMDB), Paulo Melo (PMDB), André Ceciliano (PT) e Rodrigo Bacellar (União Brasil)--, apenas Ceciliano não foi preso.
Um dos pivôs da atual crise, Bacellar teve a prisão decretada por Moraes no âmbito da Operação Unha e Carne, na qual o deputado é acusado de vazamento de dados de uma operação contra o Comando Vermelho. Em 2025, fora reeleito presidente da Alerj por unanimidade –nunca antes os 70 deputados tinham ungido um colega.
Exercia grande influência no governo de Cláudio Castro (PL). Em março, ambos foram condenados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder político e econômico –Bacellar teve o mandato cassado.
Além do presidente anterior, nos últimos meses outros dois integrantes da Alerj foram presos por indícios de corrupção e associação com o tráfico, TH Joias e Thiago Rangel (Avante).
Em relação à fala de Gilmar, a Alerj disse em nota que "não reconhece qualquer relação com a contravenção penal, bem como de qualquer investigação neste sentido relacionada à atual legislatura" e que "atua com austeridade e compromisso com o povo fluminense".
Sobre a de Lula, reputou como "inaceitável qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar o Parlamento fluminense e seus representantes eleitos pelo povo do Rio de Janeiro".
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Surgida no atual formato em 1975, com a fusão dos Legislativos do estado da Guanabara (criado em 1960 quando o Rio deixou de ser capital federal) e do antigo estado do Rio de Janeiro, sediado em Niterói, a Alerj funcionou originalmente no Palácio Tiradentes, prédio tombado no centro do Rio que acabou de completar cem anos e segue sendo a sua sede histórica.
Em 2021, os deputados se mudaram para um edifício de 30 andares, também no centro, conhecido como Banerjão, por ter sido sede do extinto banco Banerj. Foi logo apelidado de Alerjão.
Os grandes escândalos começaram na sede antiga. Em 2017, a Operação Cadeia Velha prendeu o então presidente da Alerj, Jorge Picciani, o ex-presidente Paulo Melo e o ex-corregedor Edson Albertassi e desbaratou esquemas de corrupção envolvendo uma construtora e empresas de ônibus.




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