Gil do Vigor é verde, amarelo, azul e branco. É todas as cores do Brasiiiiiiilllll, bordão que virou sua marca pessoal desde que ganhou fama nacionalmente no “BBB 21”. Neste 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, o EXTRA convidou esse pernambucano arretado, prestes a fazer 35 anos, para falar sobre representatividade a partir de suas próprias experiências. Multifacetado, ele dá expediente como apresentador, garoto-propaganda e PhD em Economia. Quer mais? Gil do Vig
Gil do Vigor é verde, amarelo, azul e branco. É todas as cores do Brasiiiiiiilllll, bordão que virou sua marca pessoal desde que ganhou fama nacionalmente no “BBB 21”. Neste 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, o EXTRA convidou esse pernambucano arretado, prestes a fazer 35 anos, para falar sobre representatividade a partir de suas próprias experiências. Multifacetado, ele dá expediente como apresentador, garoto-propaganda e PhD em Economia. Quer mais?
Gil do Vigor leva sobrinho para o jogo do Brasil nos EUA e se emociona: 'Vida diferente da que eu tive'Gil do Vigor fala sobre convite para ser professor da Universidade de Chicago: 'Cheguei ao ápice da vida'Ex-zagueira da seleção e comentarista da Globo Alline Calandrini é noiva de ex-bailarina do Faustão; conheçaConfira peças, espetáculos, shows e eventos para celebrar a cultura LGBTQIAPN+ no Rio
Você sempre teve orgulho de pertencer à comunidade LGBTQIAPN+?
Hoje, sim, muito! Durante muito tempo, eu tive aversão, por conta dos dogmas religiosos, da criação. Achava que ser um homem gay fosse algo ruim. Com o passar dos anos, entendi que eu sou especial e incrível porque sou único, não há outra pessoa como o Gil. Ser gay não me torna melhor nem pior, é só uma característica, assim como ser nordestino. Sou feliz sendo quem sou.
Pular 24 fotos Pular Pular Pular Pular Pular Pular Pular Pular Pular Pular Pular Doutor em Economia, apresentador de TV, influenciador digital e ex-BBB celebra o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ No meio acadêmico, gays ainda são minoria?
Sim... Você encontra uma ou duas pessoas assumidamente gays num grupo grande.
E você se sentia desconfortável na universidade americana em que cursou seu doutorado?
Eu chegava lá com o meu terninho rosa, meu amor, e percebia às vezes pessoas tendo reações diferentes, porque são de culturas diversas, vêm de todas as partes do mundo. Mas, dentro da minha sala, fui abraçado, as pessoas me entendiam e me respeitavam. Sempre tive o apoio dos amigos, que faziam tudo ficar mais leve.
Você chegou a treinar seu gestual para parecer hétero ao entrar no “BBB 21”, mas logo se entregou ao soltar um “Bicha!” na casa. Apesar de o Brasil ainda ser preconceituoso, Gil do Vigor saiu do reality muito amado, não é?
As pessoas me amaram muito. Ouço muitos relatos assim: “Gil, meu pai/minha mãe/meu tio/minha tia eram extremamente preconceituosos e passaram a me entender porque adoraram você”. Pra mim, é uma felicidade muito grande proporcionar esse entendimento. O “Big Brother” foi uma janela muito importante pra mim e pra muitos da comunidade.
No “Bate-papo BBB”, que apresentou com Cecília Ribeiro no Globoplay, você deu a entender que ficou com participantes do “BBB 26”...
Não, é tudo brincadeira para deixar mais leve a saída dos participantes. Eles chegam tensos, levam um “baile do Gil”... Então, eu jogo, brinco. Se um dia colar, Brasil, tudo certo, né (risos)?
O que mais o atrai num homem?
O intelecto. Eu costumo me apaixonar por pessoas inteligentes. Como é gostoso estar ao lado de alguém com quem eu possa conversar sobre tudo de forma aprofundada, alguém que domine assuntos que eu desconheça... Isso me tira do chão. Médicos me encantam. Tive um muito especial na minha vida...
Você é o primeiro e único representante da comunidade LGBTQIAPN+ entre os apresentadores do “Papo de segunda”, do GNT. Estava mais do que na hora de ter um gay debatendo sobre masculinidades no programa, não?
Desde o convite, minha conversa com a produção foi sincera: eu queria contribuir, enriquecer o debate ali. Sempre fui fã e assistia ao “Papo”, mas percebia que algumas discussões giravam em torno da visão dos héteros, e os gays têm vivências diferentes. É importante para os telespectadores entenderem também o nosso olhar. Da mesma forma, eu aprendo muito com os outros apresentadores. Agora, sou o homem do futebol. Estou sabendo horrores, Brasil! Entendendo de penalidades, de técnica... São trocas interessantes.
No programa, você disse que durante o doutorado nos EUA, já no pós-“BBB”, tentou se relacionar com mulheres. O que houve?
Do Brasil aos Estados Unidos, minha vida passou por uma transformação muito radical. Eu era um menino pobre, as pessoas não me conheciam, eu não tinha domínio do inglês. E essa lacuna afetava a minha absorção de conhecimento. O professor explicava, eu não entendia. Tinha que estudar o dobro em casa. Era tudo muito difícil. Além da questão do idioma, tinha a questão cultural, a questão de alimentação, a distância da família... Eu chorava todos os dias, tinha crises de ansiedade, receios e preocupações. E nesse momento eu busquei minha primeira referência de suporte, que foi a igreja, que eu frequentava desde os meus 10 anos, quando fui batizado. Esse ambiente foi importante pra mim. Eles não me julgaram, ao contrário, me abraçaram, e eu me senti confortável ali. Eu estava frágil, e essa questão da orientação sexual voltou à tona. Tive “dates” com mulheres da igreja. Teve uma que tocava piano e cantava lindamente, e eu me encantei. Mas a gente saía para tomar sorvete e ficava falando do Senhor, nada demais.
Com o PhD concluído, qual é a relevância do diploma de doutor para um homem gay?
É muito importante. Eu e amigos gays da academia já conversamos a respeito: o preconceito que a gente sofreu fez com que tivéssemos essa gana de provar que somos bons e exigirmos respeito. Sou feliz, posso brincar, dançar, rebolar até o chão e ser chamado de doutor pelo meu conhecimento adquirido. A educação tem um poder transformador.




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