Mineira e norueguês assistem pela primeira vez ao confronto entre seus países no Mundial e garantem que cada um vai torcer pela sua seleção neste domingo
Quando o apito inicial soar neste domingo (5/7), marcando a largada do confronto entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, a casa da família de Junia Chaves Andrade, de 48 anos, e Andreas Lavik Lie, de 47, não será apenas um local de torcida. Será, na verdade, um verdadeiro campo de batalha diplomático e afetivo, onde o verde-amarelo se encontrará com o vermelho, branco e azul nórdicos em meio ao cheiro de churrasco – com direito a tambor para assemelhar-se ao rito viking.
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Mineira de Belo Horizonte, Junia conta que o coração já está batendo mais forte. Cruzeirense roxa, ela traz na bagagem a paixão que herdou dos estádios da capital, mas confessa que este será um evento inusitado. “Nunca vivemos isso. Vai ser a primeira vez. A hora que sair um gol, acho que vai ser grito dos dois lados”, brinca. “Mas se eu (Brasil) saio por causa da Noruega, vou estar feliz também porque a gente ainda vai poder vibrar e assistir à Noruega (em jogos futuros)”, completa.
Do outro lado desse "clássico", está o norueguês Andreas Lavik, que se tornou um entusiasta do futebol brasileiro muito antes de conhecer Junia. A conexão com o Brasil começou de forma inusitada, ainda na infância. Ele ganhou uma bandeira do Brasil da prima em 1990, quando ainda era um menino, vivendo do outro lado do mundo. Mas o item ficou guardado com ele, mesmo sem imaginar que anos depois não só se apaixonaria por uma brasileira, como também viveria no país tropical.
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O amor pelo Brasil ganhou contornos de mineiridade com o casamento. Após quase uma década morando na Inglaterra, o casal se mudou para Nova Lima, na Região Metropolitana de BH. O norueguês, que já visitou o Mineirão duas vezes para acompanhar jogos do Cruzeiro, considera que a atmosfera dos estádios brasileiros é inigualável.
Ainda em solo britânico, nasceram os dois filhos do casal: Nicolai Andrade Lie, de 9 anos, e Joaquim Andrade Lie, de 6. Com a influência direta do pai nórdico, da mãe mineira e do país onde nasceram, os pequenos vivem uma verdadeira confusão na hora de escolher um lado.
O norueguês Andreas Lavik Lie e a mineira Junia Chaves Andrade deixam os filhos Joaquim, de 6 anos, e Nicolai, de 9, livres para escolher suas torcidas Leandro Couri/EM/DA Press O norueguês Andreas Lavik Lie e a mineira Junia Chaves Andrade deixam os filhos Joaquim, de 6 anos, e Nicolai, de 9, livres para escolher suas torcidas Leandro Couri/EM/DA Press Voltar Próximo
Para Andreas, o jogo de domingo tem um sabor especial. A Noruega não competia em uma Copa do Mundo há 28 anos, um hiato que fez com que o sentimento de orgulho nacional atingisse patamares altíssimos entre os nórdicos. "É um tempo muito longo (sem disputar o campeonato mundial) e a equipe tem feito muito bem. Estamos extremamente ansiosos sobre o que está a vir e o jogo no domingo. Temos uma pequena esperança de vencer", diz o norueguês.
Andreas vem da mesma região de Erling Haaland, o fenômeno norueguês que brilha nos gramados e é um dos destaques desta Copa. Para ele, o momento é de vivenciar um sonho. "Vou ficar um pouco desapontado caso a Noruega perca, mas, ao mesmo tempo, o Brasil é minha segunda seleção favorita no mundo, então ficarei bem com o resultado. Acho que os noruegueses veem isso como o fim de uma grande aventura, mas também respeitam o fato de estarem jogando contra uma das melhores equipes do mundo e, provavelmente, torcerão pelo Brasil após o jogo", reflete.
“Sabemos que o Brasil é um país ótimo para jogar contra, mas, ao mesmo tempo, talvez seja uma boa chance para nós vencermos, porque a equipe da Noruega está fazendo muito bem. E a equipe brasileira não tem sido tão convincente até agora. Temos uma pequena esperança de vencer”, completa Andreas. Apesar da rivalidade saudável de domingo, o marido ressalta que o respeito entre as culturas é o maior troféu.
Enquanto o domingo não chega, o clima na casa é de muita expectativa. Junia e Andreas já organizam o churrasco, que contará com familiares e amigos brasileiros. Para os pequenos Nicolai e Joaquim, a dúvida se transforma em oportunidade: eles ainda decidem para quem torcer e quais uniformes usar, podendo, inclusive, torcer para as duas nações.
Independentemente do placar, o dia será de celebração. Para a família, o mais importante é a harmonia de compartilhar uma paixão em família. O futebol, na casa deles, funciona como um elo que conecta continentes, idiomas e corações, e prova que, dentro de campo ou fora dele, o amor ultrapassa barreiras – e continentes.
A prática do remo tem origem na Noruega. Nesta edição da Copa do Mundo, a performance de torcedores nórdicos chama a atenção. A coreografia faz referência aos barcos utilizados pelos vikings, povos que exploraram diferentes regiões da Europa entre os séculos VIII e XI e que permanecem como um dos principais símbolos do país.
A celebração costuma ser acompanhada por cantos entoados pelos torcedores, criando uma espécie de encenação coletiva inspirada nas antigas expedições marítimas. Segundo Andreas, a comemoração observada nos estádios é algo divertido e positivo. Para ele, trata-se de uma reflexão sobre o passado viking, povo que explorou novas terras por meio de embarcações em oceanos.
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“A Noruega, obviamente, tem uma linha costeira muito longa e a maioria das pessoas tem barcos. Há algumas gerações era assim que você se locomovia: você remava. Meus avós costumavam remar para a igreja todo domingo, e é algo que a maioria das pessoas tentou em algum momento de suas vidas, e é um bom exercício também. Acho que é uma coisa boa e positiva, e espero que possamos espalhar essa mensagem", relata o norueguês.
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