Presidente fez comício em Curitiba e direcionou críticas a Flávio Bolsonaro e Sergio Moro. Sul ...

Presidente fez comício em Curitiba e direcionou críticas a Flávio Bolsonaro e Sergio Moro. Sul continua sendo desafiador para o PT e Lula corre risco de perder parte do eleitorado reconquistado na região em 2018.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpriu neste sábado (12/09) a segunda etapa de um giro pelos estados do Sul do Brasil, região historicamente desafiadora para o PT e na qual o petista aparece em desvantagem eleitoral em relação ao rival Flávio Bolosonaro (PL) na disputa presidencial.

Em Curitiba, Lula reuniu milhares de apoiadores na Boca Maldita, tradicional área de comícios políticos na região central da capital paranaense, que foi palco do primeiro grande ato nacional da campanha das "Diretas Já", em 1984.

Com a voz rouca após liderar um comício em Porto Alegre na noite anterior, Lula começou seu discurso com ataques ao bolsonarismo, pintando seus adversários na extrema direita como corruptos ao evocar o escândalo do Banco Master e as fraudes contra aposentados do INSS.

"Em 2019, eles pegaram um agiota e o transformaram em um banqueiro. O tal do Banco Master, que tem esse Vorcaro que corrompeu muita gente da República. Eles criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro. Eles abriram um banco e nós fechamos esse banco", disse Lula. Já sobre as fraudes no INSS, o presidente argumentou que a "quadrilha" responsável pelo esquema teria sido montada durante o governo Bolsonaro. "A verdade tarda, mas não falha", disse.

Na sequência, Lula abordou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e disse que defendeu que o sigilo do Caso Master fosse retirado. "Vamos deixar às claras para ver quem de verdade é ladrão e corrupto neste país. E a família Bolsonaro não escapa", completou o presidente. "Portanto, quem fez putaria vai ser desmascarado neste país", completou Lula, arrancando risos entre os apoiadores.

Lula também abordou o tema espinhoso das suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, investigado por suspeita de tráfico de influência e corrupção em favor de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal. "Ele [Lulinha] nasceu para fazer as coisas certas e eu acredito na inocência dele. Mas se ele cometeu um erro, ele terá de pagar pelo erro que cometeu", afirmou o presidente.

"Isso vale para mim, isso vale pro meu filho, isso vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da suprema corte para ficar rico, aquilo é um sacerdócio", acrescentou Lula, ainda mencionando a crise no STF.

Ainda no comício, Lula também criticou as movimentações do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, e a proximidade da administração americana com a família Bolsonaro. "O Trump sabe que eu já falei para ele: não se meta na eleição do Brasil. Esse país não é um vira-lata e nem uma republiqueta de banana. Esse país tem 215 milhões de homens e mulheres que têm orgulho. A escolha de um governador, de um deputado e do presidente é única do povo brasileiro"

Críticas a Sergio Moro, que lidera disputa pelo governo do Paraná

O presidente ainda direcionou críticas ao ex-juiz Sergio Moro, que em 2018 determinou a prisão de Lula, tirando o petista do pleito presidencial daquele ano.

Posteriormente, Moro se tornou ministro do governo de Jair Bolsonaro, que passou para a liderança na eleição daquele ano justamente por causa da saída de Lula no páreo. Em 2022, foi a vez de Moro se eleger senador pelo Paraná. Na eleição de 2026, ele concorre ao governo do estado e vem encabeçando as principais pesquisas de intenção de voto.

Ao lado de Requião Filho (PDT), que concorre ao governo do Paraná com o apoio do PT, Lula chamou Moro de "frouxo" e "mentiroso" e direcionou críticas à imprensa.

"Eu sou vítima da mentira dele e ele foi alimentado pela imprensa nacional, que quase fez ele virar Deus. Ou seja, depois ninguém da imprensa tem coragem de pedir desculpa: 'Desculpa, Lula, eu menti. Desculpa, eu estava mal-informado'. Não, a imprensa não pede desculpa, ela é infalível", apontou Lula.

"Eu fiquei 580 dias na cadeia por conta de uma mentira! Estou até agora esperando: cadê a minha chácara e cadê o meu apartamento no Guarujá? Até agora tô esperando", completou o presidente.

Antes de Lula, a deputada Gleisi Hoffmann (PT), que concorre desta vez ao Senado, também usou o comício para criticar Moro.

"Não é possível que aquele algoz desqualificado, um juiz que roubou para lhe colocar injustamente na cadeia, volte e queira ser governador. Uma pessoa que não quis nem ser candidata ao Senado pelo Paraná. Primeiro foi buscar São Paulo", disse Gleisi, recordando que em 2022 Moro havia originalmente tentado se candidatar sem sucesso ao Senado por São Paulo, antes de disputar uma vaga no Paraná.

Gleisi, que é natural de Curitiba, tem liderado uma campanha com o slogan "Bicho do Paraná", tentando reforçar sua ligação com o estado.

Mas as críticas dos petistas têm surtido pouco efeito sobre a campanha do ex-juiz bolsonarista.

Nesta semana, Moro apareceu com 35% das intenções de voto na disputa pelo governo do Paraná, segundo pesquisa Real Time Big Data, mais de dez pontos à frente do segundo colocado, Sandro Alex (PSD), que tem 23%. Já Requião Filho está na terceira colocação, com 21%.

Paraná é historicamente um estado difícil para o PT