Poucos campos são tão movidos pela busca incessante de inovação quanto o da saúde. A promessa de diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e sistemas mais eficientes têm atraído um volume crescente de investimentos e feito convergirem, em torno d…

Poucos campos são tão movidos pela busca incessante de inovação quanto o da saúde. A promessa de diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e sistemas mais eficientes têm atraído um volume crescente de investimentos e feito convergirem, em torno do cuidado, atores que até recentemente ocupavam mercados distintos, como gigantes de tecnologia, farmacêuticas, operadoras de planos de saúde, além do próprio poder público. Não por acaso, estima-se, por exemplo, que a adoção mais ampla de inteligência artificial (IA) poderia gerar economias da ordem de US$ 200 a 360 bilhões por ano apenas no sistema de saúde norte-americano [1].

Essa promessa já se traduz em aplicações concretas em determinadas especialidades, como a radiologia e o diagnóstico por imagens. Nessas áreas, em que redes neurais convolucionais alcançam taxas de acurácia superiores a 97% na leitura de mamografias (patamar que contrasta com margens de erro humanas que chegam a 30% em certos cenários) [2]. Além disso, sistemas de IA reduziram falsos positivos e pedidos de biópsia na interpretação de ultrassonografias mamárias [3].