Uma análise feita pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) mostra que os casos de violência contra crianças e adolescentes registrados pelos serviços de saúde mais que dobraram de 2020 a 2025. Leia mais (06/28/2026 - 23h00)
Mônica Bergamo é jornalista e colunista
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Uma análise feita pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) mostra que os casos de violência contra crianças e adolescentes registrados pelos serviços de saúde mais que dobraram de 2020 a 2025.
O levantamento foi realizado com base nos números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), banco de dados do Ministério da Saúde que concentra os registros de doenças e violências documentadas pelos sistemas de saúde.
Segundo o mapeamento, em 2020 foram notificadas 73.635 ocorrências envolvendo vítimas de 0 a 18 anos. Já em 2025, esse número saltou para 165.413, um aumento de 125%.
O crescimento ocorreu em todas as regiões brasileiras, sendo que o Nordeste apresentou a maior variação percentual, com alta de 1.200%, seguido de Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%).
Para o presidente da SPDM, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, parte desse aumento pode estar associado aos avanços na capacidade de identificação dos casos pelos serviços de saúde e pela rede de proteção. No entanto, o volume alto de notificações mostra, na visão dele, "que a violência contra crianças e adolescentes permanece como um problema grave e persistente no país" e exige ações de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas.
No total, o levantamento identificou 685.529 notificações de ocorrências contra crianças e adolescentes nos seis anos analisados, de 2020 a 2025.
A violência sexual liderou os registros, estando presente em 34% deles. Casos de negligência e abandono aparecem na sequência, com 33,3%. Em seguida, vem a violência física, com 32,9%.
A análise mostra que a adolescência concentrou a maior parcela das notificações. Foram 294 mil registros (43% do total). Na sequência, surge a primeira infância (crianças de até 6 anos), com 37% dos casos (256,6 mil), e a segunda infância (entre 7 e 12 anos incompletos) com 20% das notificações (135 mil).
As meninas e as adolescentes do sexo feminino são maioria (62%) entre as vítimas —os meninos aparecem em 38% dos casos. A análise identificou também que em quase metade das notificações as crianças e os adolescentes envolvidos foram classificados como pardos (49,1%), outros 35,7% como brancos e 7,6% como negros.


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