Dados mostram salto de 321% em investimentos para a inovação e a modernização da indústria

“Se hoje vemos carros híbridos e elétricos nas ruas, é resultado desses investimentos, que impulsionam novas rotas tecnológicas e aumentam a competitividade da indústria brasileira.” Com essas palavras, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, mostrou como a Nova Indústria Brasil (NIB), lançada em 2024, está modernizando a indústria brasileira.

A NIB já reúne cerca de R$ 750 bilhões em linhas de crédito para a modernização da indústria. No recorte específico da inovação, o volume de operações contratadas cresceu em 321% entre 2023 e 2025, quando comparado ao período de 2019 a 2022.

Os dados foram divulgados nessa quinta-feira (2/7), em Brasília, durante a segunda edição do talk Brasil Industrializado – Inovação, Produtividade e Competitividade para a Nova Indústria, promovido pelo Metrópoles em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

O encontro reuniu representantes da ABDI, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).

Entre 2023 e 2026, temos projetado mais de R$ 50 bilhões para inovação e tecnologia. Já contratamos bilhões em projetos distribuídos entre as missões da Nova Indústria Brasil.

Entre os destaques apontados por ele, está o Programa de Mobilidade Verde, que já atraiu investimentos do setor privado de mais de R$ 190 bilhões para novas rotas tecnológicas em descarbonização.

Segundo Uallace, os efeitos da política já aparecem em setores estratégicos da economia. 

Para o assessor especial da presidência da ABDI, Jackson de Toni, o país vive um processo de reestruturação industrial com um apoio efetivo de políticas públicas.

“Nós temos números muito positivos na economia brasileira recente. No ano passado, por exemplo, nós atingimos a quantia de 350 bilhões de dólares de exportação”, apontou. 

De acordo com ele, agora é preciso garantir a efetividade das políticas públicas. “O maior desafio é aprofundar a política industrial e garantir que seus instrumentos cheguem de forma efetiva às empresas, gerando emprego, renda e desenvolvimento regional.”

Para isso, o MDIC lançou, em parceria com a ABDI, uma plataforma para facilitar acesso ao crédito às empresas. O Investe Indústria Brasil reúne em um único ambiente digital as principais linhas de financiamento do BNDES, Finep e Embrapii voltadas ao setor produtivo. Nesta primeira etapa, a plataforma receberá projetos relacionados às cadeias agroindustriais, com foco em fertilizantes.

O objetivo é reduzir a burocracia e facilitar o acesso das empresas aos programas disponíveis. Segundo Jackson De Toni, a ferramenta organiza a demanda das empresas e conecta os projetos às instituições financeiras.

Apesar do avanço no crédito e na inovação, representantes do setor produtivo alertaram que a produtividade continua sendo um dos principais gargalos da indústria brasileira.

O gerente de Negócios de Inovação e Tecnologia do Senai, Maicon Lacerda, afirmou que a produtividade no Brasil ainda é cerca de metade da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

De acordo com ele, a falta de mão de obra qualificada limita o avanço do setor. “Formação de pessoas é um grande gargalo no Brasil. Muitas empresas querem inovar, querem aumentar produtividade, mas não encontram profissionais com a qualificação necessária.”

A gerente de Desenvolvimento e Inovação Industrial da CNI, Paula Nardai, concordou que a falta de mão de obra ainda é um dos principais desafios do setor.

A inovação gera produtividade, que gera competitividade e desenvolvimento. Mas isso só acontece com gente preparada dentro das empresas.

Para complementar, Diones Cerqueira, assessor econômico da Fibra, ressaltou que o problema é sentido diretamente pelas empresas. “O empresário sente na prática essa falta de profissionais qualificados. Muitas vezes ele até quer investir, mas não encontra equipes preparadas para sustentar esse crescimento.”

Ele defendeu maior integração entre políticas públicas, empresas e instituições de ensino. “Precisamos conectar melhor as políticas públicas, as instituições de ensino e as empresas, para garantir que a formação esteja alinhada com a realidade da indústria.”

A inteligência artificial ocupou boa parte do debate e apareceu como uma das principais apostas da política industrial para os próximos anos.