Painel aponta 95% de chance de intensidade muito forte entre outubro e dezembro; 24 municípios já estão em situação de seca extrema, enquanto Sul enfrenta risco de inundações
Compartilhar matériaO El Niño deve atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro, período que marca a transição entre a primavera e o verão, e continuar influenciando o clima brasileiro pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
O novo boletim do Painel El Niño aponta 95% de probabilidade de que o fenômeno alcance essa intensidade e alerta para dois cenários distintos no país: intensificação da seca e do risco de fogo no Centro-Norte e aumento das chuvas e do risco de cheias na região Sul.
Além disso, as temperaturas devem permanecer acima da faixa considerada normal em quase todo o território nacional. Os órgãos responsáveis ressaltam, porém, que as projeções representam tendências sazonais e que os impactos em cada localidade dependem da evolução das condições meteorológicas.
O Boletim nº 4 foi divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), em parceria com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais), o SGB (Serviço Geológico do Brasil), a Sedec (Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil) e o Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia). O documento reúne dados de monitoramento, previsões e possíveis impactos do El Niño no Brasil.
Os dados mais recentes mostram uma piora rápida das condições de seca. Informações parciais de setembro do Cemaden apontam que o número de municípios classificados em situação de seca extrema passou de quatro para 24 em apenas um mês.
Também aumentou a quantidade de municípios em seca severa, que passou de 153 para 197. Os maiores avanços foram registrados no Amazonas, Bahia, Amapá, Alagoas e Sergipe.
O Nordeste concentra atualmente o quadro mais severo do país. Segundo o boletim, 16% da região está em situação de seca grave, cenário que pode ser agravado pela previsão de pouca chuva e temperaturas acima da média.
Na região Norte, a seca também avançou de maneira significativa, principalmente em Roraima, Acre e Amazonas.
Além dos impactos sobre o solo e a vegetação, a redução das chuvas já provoca efeitos sobre os recursos hídricos. Há municípios enfrentando dificuldades para realizar a captação de água e problemas relacionados à navegação. Roraima aparece entre os principais pontos de atenção. Os rios Branco e Negro apresentam níveis baixos, enquanto a previsão indica chuva abaixo da média, o que pode dificultar a recuperação dos níveis dos cursos d'água.
A combinação entre pouca precipitação e temperaturas elevadas também aumenta o risco de fogo, especialmente em áreas onde a vegetação permanece mais seca. Segundo a previsão do Cemaden para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, áreas críticas devem permanecer principalmente na Amazônia, no Centro-Oeste e em partes do interior do país.
Em setembro, a CNN Brasil divulgou levantamento referente a quais estados têm plano de manejo do fogo para 2026.
Enquanto o Centro-Norte enfrenta o avanço da estiagem, a região Sul registra o extremo oposto: chuvas volumosas elevaram os níveis dos rios e provocaram inundações. Os principais impactos foram observados no Rio Grande do Sul, especialmente no Vale do Taquari e ao longo do rio Caí, além de municípios de Santa Catarina. O SGB já emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico para a Região Sul ao longo de 2026, diante da ocorrência de eventos associados à elevação dos níveis dos rios e ao risco de inundações.
A previsão para o trimestre de outubro a dezembro mantém o sinal de chuva acima do normal no Sul.
Também há indicação de precipitações superiores à média em parte do Sudeste e no leste do Nordeste. Por outro lado, apesar da continuidade do risco, a tendência indicada pelo boletim é de redução gradual da possibilidade de cheias no Sul até dezembro.
Outro fator de atenção é a temperatura. A previsão indica valores acima da faixa normal em quase todo o Brasil durante o período de influência mais intensa do fenômeno.
O aquecimento ocorre em um cenário no qual o El Niño continua se fortalecendo no Pacífico Equatorial. As condições do fenômeno foram confirmadas em junho e, no fim de setembro, as anomalias de temperatura da superfície do mar ultrapassaram 2°C nas áreas central e leste do oceano, segundo o CPC/NOAA (Climate Prediction Center/National Oceanic and Atmospheric Administration).
O que é o El Niño O El Niño é um fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A alteração da temperatura do oceano interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.
No Brasil, os efeitos não são iguais em todas as regiões. Historicamente, o fenômeno está associado a maior frequência de chuvas no Sul e a condições mais secas e quentes em áreas do Norte e Nordeste. Os impactos, entretanto, variam conforme a intensidade do episódio, a época do ano e a interação com outros sistemas atmosféricos.
Neste episódio, as instituições que participam do Painel El Niño indicam que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
A Defesa Civil Nacional recomenda que a população se cadastre para receber alertas de eventos adversos. O serviço pode ser acessado pelo envio do CEP por SMS ou atrvés das plataformas do WhatsApp e do Telegram.




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