Enrolado com o Master, Alexandre de Moraes copia Nero, ataca Mendonça e põe fogo no país para confundir a opinião pública.

Ouça EssaNovo Nero? Moraes põe fogo e tenta arrastar todos às chamasPor Marcos Tosi

Dê de presentePrefira a Gazeta no Google(Foto: Gazeta do Povo)Ouça este conteúdo

Quando ocorre um incêndio, mesmo os ambientes mais calmos e organizados são tomados de súbita confusão e gritaria. É no efeito desse caos fabricado que Alexandre de Moraes parece apostar agora para se livrar das graves acusações contra ele. E que teriam envolvido negociar e revisar o contrato milionário da esposa com banqueiro corrupto, em troca de uma espécie de serviço de "consultor da bandidagem", como definiu um ex-ministro do STF.

Ao incendiar o país, acusando os outros de irregularidades que ele vem cometendo a torto e a direito nos últimos sete anos, o ministro tenta criar um pandemônio. Uma maneira de confundir a tudo e a todos, abrindo uma brecha por onde possa fugir impunemente e se abrigar das labaredas.

Impossível não relacionar essa tática de Moraes às de um personagem do início da era cristã. Dizem relatos históricos que o imperador Nero pôs fogo em Roma para se consolidar no poder e obter uma justificativa para perseguir os cristãos, que cresciam rapidamente em número e se recusavam a prestar culto ao deus-imperador.

No caso brasileiro, "data máxima vênia" por compará-lo à tragédia cristã de dois mil anos atrás, Moraes teve seu momento de deus-imperador: houve muitos que até o louvaram como herói salvador da democracia. Esse "herói" encarcerou milhares de pessoas que saíram às ruas para pedir a queda do imperador, ou melhor, o impeachment do próprio ministro e o "Fora Lula". Moraes exerceu à vontade os superpoderes concedidos por seus pares, poderes totalmente alheios à Constituição, e jogou no calabouço inclusive o líder maior dos opositores.

Parecia vitória absoluta. O Nero brasileiro tinha tudo dominado, aparentemente. Mas daí veio o que os japoneses chamam de "doença da vitória". O conquistador, embriagado pelo sucesso, tropeçou no erro da soberba e no excesso de confiança.

Incensado por parte da mídia, e com os críticos mais veementes encarcerados ou no exílio, Moraes aparentemente se sentiu tão à vontade que achou que dava para enriquecer a família arrancando dinheiro de um banqueiro corrupto, sob a justificativa de prestação de serviços advocatícios. Ninguém ia notar, ou, pelo menos, ninguém se atreveria a investigar isso.

O que se viu, a julgar pelo espanto do ex-ministro Marco Aurélio Mello, foi um ministro fazendo da Corte uma "consultoria da bandidagem", com fortes suspeitas de que agia para bloquear, adiar ou vetar operações contra o cliente contraventor, por quem teria sido consultado até sobre o melhor momento de fuga. Tudo em conversas cuidadosamente apagadas depois, para não deixar vestígios. Quem diria. O mesmo Moraes que acusou Débora do Batom de usar tática de criminosos ao enviar mensagens de leitura única passou a usar e abusar desse recurso para não deixar rastros.

No embate contra André Mendonça, o Nero brasileiro passou a acusar o colega de uma série de irregularidades que ele mesmo cometeu ao longo dos últimos sete anos, desde que passou a tocar o inquérito interminável das fake news.

Moraes acusa Mendonça de interferir nas investigações da PF e no posicionamento da PGR, mas se esqueceu de quando participou das audiências e praticamente conduziu para onde quis a delação premiada de Mauro Cid. No TSE, denúncias documentadas pelo seu ex braço-direito dão conta que o ministro decidia os alvos dos inquéritos, e os assessores pediam à turma para ser "criativa" em achar algo para incriminar os críticos do regime.

Em vez de explicar objetivamente aquilo de que é acusado, Moraes parte para o contra-ataque e diz que a culpa é do mensageiro. Não se importa em explicar o mau cheiro de suas roupas, quer apenas punir quem mostrou os podres do imperador. Nessa cruzada para salvar o próprio pescoço, Moraes não está sozinho. Há outros pescoços correndo perigo. E ele já tem o vergonhoso apoio de vários colegas da própria Corte, espécie de imperadores co-regentes, e também do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do procurador-geral, Paulo Gonet, e do presidente Lula, nomes com fortes indícios de estarem enlameados no mesmo escândalo.

É a turma da lama se revoltando contra o pessoal da limpeza, tentando arrastá-los para o barro para fazer parecer que estão todos igualmente sujos. É uma mistura de vozes, como dizia o saudoso jornalista Luiz Geraldo Mazza. E, misturando as vozes, cria-se um grande ruído, para que ninguém entenda nada.

Como Nero, e como tantos outros ditadores do presente e do passado, Alexandre de Moraes só pensa em salvar a própria pele, preservar o poder absoluto e a riqueza acumulada. Quem não aplaudir, ora, que seja jogado aos leões. Mesmo que a democracia do país queime até virar cinzas.

Encontrou algo errado na matéria?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Dino derruba decisão de Mendonça e manda restabelecer post sobre Nossa Senhora AparecidaDino e a conversão tardia: seletividade de ministro do STF mostra que golpe está em cursoTiro no pé: campanha de Lula comete blasfêmia ridículaRegras do TSE para IA e redes estão sendo aplicadas contra jornalistas e veículos de imprensaTudo sobre:

Alexandre de MoraesAndré MendonçaDavi AlcolumbreFake NewsMarco Aurélio MelloPrograma Ouça EssaReceba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegramWHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.