Proposta para facilitar despejos e descongelar rendas antigas visa dar confiança aos senhorios. Torneiras dos munícipes de Almada secas em pleno verão. Ainda, Estado falhou na digitalização de exames?
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E o "Vencedor é..." na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube e nas redes sociais do Observador. Hoje com a Judite França, o Nuno Gonçalo Poças e o Anselmo Crespo. Vamos falar da falta de água em Almada, dos exames, do PSD, que afinal não vai chamar os ex-ministros do PS à Assembleia da República. Ainda temos tempo para ir à nova lei do arrendamento, que hoje foi a Conselho de Ministros, mas começamos por Almada. Anselmo, há agora dois furos para tentar resolver o problema.
Tu não sabias que no verão vai muita gente ali pra Margem Sul?
Eu já tinha ouvido falar na hipótese, porque acho que há ali umas praias.
Há umas praias e as pessoas tendem a ir pra praia quando está calor.
E até vai pra lá muita gente.
Mas eu tenho uma notícia pra dar a quem nos está a ouvir. É que o problema da água em Almada não é um problema do verão, é um problema que se repete mesmo quando não é verão. Eu, por acaso, na semana passada, por motivos profissionais, estive em Almada, num daqueles dias de muito calor, e houve um corte d'água. Eu estava na Faculdade de Economia, e a primeira coisa que os professores da Faculdade de Economia me disseram foi: "Isto é uma constante." Portanto, esta desculpa de mau pagador de que o problema da água em Almada resulta de um súbito consumo excessivo, não passa disso mesmo. É uma desculpa de mau pagador. E ainda por cima é uma má desculpa, porque podia ser uma boa desculpa, mas é uma má desculpa. Porque é tão certo o consumo d'água aumentar nos meses mais quentes, seja em Almada ou noutro sítio qualquer, como é certo que no inverno faz frio e, em princípio, é preciso mais aquecimento. E, portanto, eu fico perplexo com estas coisas, apesar de isto ser recorrente em Portugal. Isto é uma coisa muito típica de acontecer neste país. E fico perplexo em várias dimensões. Por um lado, pela forma como a própria autarquia, neste caso a presidente da Câmara, Inês de Medeiros, tem estado a lidar com esta situação de crise. Eu tenho um conselho, que é: qualquer pessoa que tenha que gerir crises, seja em cargos públicos ou não, olhe pra forma como Inês de Medeiros está a gerir esta crise e aprenda como não fazer. Isto é exatamente o que não se deve fazer, que primeiro ficou em silêncio durante dias. Depois, decidiu gravar uma mensagem a todos os títulos surreal, mal gravada, pras redes sociais. E agora a terceira etapa parece ser culpar o governo, em vez de assumir as suas próprias responsabilidades enquanto líder da autarquia. É bom lembrar, Inês de Medeiros está no terceiro mandato. Não chegou à autarquia no final do ano passado, nas autárquicas do ano passado. Não, está no terceiro mandato. E se os problemas de abastecimento d'água em Almada são, afinal, muito recorrentes, então a pergunta que eu acho que qualquer pessoa deve fazer, sobretudo as que moram em Almada, é: o que o município tem feito e anda a fazer nos últimos anos? Essa é a primeira pergunta, porque os dois furos que tu estás a falar que vão ser aparentemente abertos agora, primeiro, é duvidoso que eles vão resolver o problema. E em segundo lugar, a pergunta é: por que vão ser feitos agora e não foram feitos antes? Por quê? Porque a primeira coisa que eu ouvi os responsáveis, já não sei se da autarquia, se dos serviços municipalizados, dizerem foi que estavam à espera de aprovação pra dois furos, pra APA vir imediatamente a seguir dizer: "Nós não temos aqui nenhum pedido de aprovação de nada." O primeiro impacto foi logo este. E por que eu acho que isto é o espelho do país? Porque, em princípio, a única coisa que nós temos certa, pra quem vive em Portugal, naturalmente, são duas coisas. Uma é a morte, a outra é que os impostos vão chegar a tempo e horas pra pagar. São as duas únicas coisas que nós temos certas. Se nós tivermos um problema, mesmo com os impostos, se nós tivermos uma divergência com o Fisco, não é certo que tenhamos resposta a tempo e horas, mas o prazo para pagar é certo que está lá e é pra pagar. E a partir dali começamos a pagar coimas. E, portanto, se isto não é mais um exemplo da falência do Estado, e neste caso o poder local, a somar a muitos outros com que nós somos confrontados todos os dias, hoje ainda vamos falar aqui de um outro exemplo, eu não sei o que é preciso explicar mais. Termino com isto: eu acho que Maria Lúcia Amaral usou a expressão perfeita, na altura por causa do controle de passaportes, que se aplica a quase tudo no Estado português, o sistema PIFU.
Nuno, qual é a tua posição em relação aos furos artesianos?
É assim que se chama.
Nós aqui somos rigorosos.
É uma boa posição, não é?
Sim, não tinha percebido que estavas a ser exibicionista, desculpa.
Acho que eu domino toda...
Não, claro, eu sei, mas eu devia ter pensado nisso antes. No fundo, é o que o Anselmo diz. Isto é um problema que não são um, nem dois, nem três, nem quatro. Há muitos anos que se fala sobre isso. O problema das condutas, do estado de degradação das coisas, etc. Isto, em primeiro lugar, se calar também destrói aqui um bocadinho o mito do grande exemplo de boa gestão autárquica do PCP
Depois, se calhar também destrói um bocadinho a ideia que o Anselmo estava a dizer da boa comunicação que vem ainda por cima de uma atriz e de um antigo presidente do Instituto de Cinema, que também geriu o CMAS, não o atual, mas no mandato 2001, 2025, que também é outro fenômeno sempre encantador. Chega sempre uma altura em que nós percebemos que: espera lá, mas por que é que naquele organismo estava aquela pessoa? Se calhar é capaz de ter alguma coisa a ver com o facto disto não ter funcionado muito bem.
Se calhar não são as pessoas mais indicadas.
E depois também diz muito da forma como o poder político local ou central, de alguma maneira nos vai representando, que é o facto de aquela ser uma obra necessária por todo lado, mas que não se vê. Diz muito do nosso próprio grau de exigência. A Câmara Municipal de Almada construiu o Museu da Água. Construiu o Museu da Água, que é para quê? Para as pessoas virem lá ver como é que é. Isto dá medo.
Isto quando havia água. No tempo em que havia água.
Incrível. Há dinheiro para essas coisas. E nós é que escrutinamos isto. Nós é que depois optamos, fazemos escolhas políticas em função daquilo que nos dão.
Eu só queria dizer uma coisa pra não me estar a repetir em relação aos últimos dias. É preciso fazer investimento ao longo de muitos anos e de fato está enterrado, não se vê.


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