Artigo de opinião escrito por Sónia Miranda, Médica Veterinária e Practice Manager, AniCura Atlântico Hospital Veterinário.
Quando pensamos na preparação para um incêndio, a nossa primeira preocupação é, naturalmente, garantir a segurança da família. No entanto, quando existem animais de companhia em casa, há também uma questão que deve fazer parte desse planeamento: como garantir a sua segurança caso sejam expostos ao fumo, ao calor ou às chamas?
Durante um incêndio, cães e gatos podem estar sujeitos a diferentes riscos. As queimaduras são uma das consequências mais evidentes, podendo afetar a pele e as almofadas plantares, mas a exposição ao fumo representa também um perigo significativo. A inalação de fumo pode provocar lesões nas vias respiratórias e intoxicação, enquanto o calor intenso pode levar à desidratação e ao golpe de calor. O próprio stress pode ainda fazer com que alguns animais entrem em pânico, fujam ou se escondam, dificultando a sua localização e evacuação.
Depois de um incêndio, é importante não olhar apenas para aquilo que é imediatamente visível. Tosse persistente, respiração ofegante ou ruidosa, respiração pela boca, sobretudo nos gatos, alterações na cor das gengivas, apatia, desorientação ou dificuldade em caminhar são sinais que devem merecer atenção. No caso das queimaduras, vermelhidão, bolhas, pelo chamuscado ou a recusa em apoiar uma das patas podem também indicar que o animal foi afetado.
É importante ter em conta que alguns destes sinais podem não surgir imediatamente após a exposição. Um animal pode parecer estável depois de ser retirado do local e desenvolver alterações respiratórias nas horas seguintes. Por isso, perante uma exposição significativa ao fumo, sobretudo quando esta ocorre num espaço fechado, é recomendável procurar avaliação médico-veterinária tão rapidamente quanto possível, mesmo quando não existem sintomas evidentes.
Numa emergência, a prioridade deve ser afastar o animal do fumo, do calor e das chamas, desde que isso possa ser feito sem colocar pessoas em perigo. Nunca se deve regressar a um edifício em chamas para tentar resgatar um animal; nestas situações, é fundamental informar os bombeiros ou as equipas de emergência de que existe um animal no interior e, se possível, indicar onde poderá encontrar-se.
Em caso de queimadura, a zona afetada pode ser arrefecida suavemente com água corrente fresca ou à temperatura ambiente e posteriormente protegida com um pano limpo, até à observação médico-veterinária. Não deve ser utilizado gelo diretamente sobre a queimadura, nem aplicados cremes, pomadas ou outros produtos caseiros sem indicação veterinária. O animal deve ser mantido calmo e o transporte realizado com o mínimo de manipulação possível.
Mas a preparação começa muito antes de o incêndio acontecer. Ter uma transportadora ou trela facilmente acessível, um pequeno kit com água, alimento, medicação habitual e documentação do animal, bem como os contactos de um hospital veterinário, pode facilitar muito uma evacuação. O microchip deve estar associado a contactos atualizados e, sempre que possível, o animal deve ter uma coleira com identificação.
Sempre que possível, é também útil pensar antecipadamente para onde levar o animal em caso de evacuação, identificando familiares, amigos, alojamentos ou outras alternativas que possam recebê-lo temporariamente. Um plano de emergência só está verdadeiramente completo quando contempla todos os elementos da família, incluindo aqueles que dependem totalmente de nós para sair de uma situação de perigo.
Não podemos prever quando vai acontecer um incêndio, mas podemos preparar a forma como vamos reagir. Incluir os animais de companhia no plano de emergência familiar e saber como agir perante uma situação de risco é uma forma simples de aumentar as hipóteses de uma evacuação segura e de proteger quem também depende de nós.
O incêndio que deflagrou hoje à tarde no concelho de Penacova, distrito de Coimbra, foi dado como dominado às 19:28, afirmou fonte da Proteção Civil.




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