Betty Grafstein quebrou o silêncio esta terça-feira, em tribunal, e relatou alegadas agressões que diz ter sofrido durante anos às mãos do marido José Cas...

Betty Grafstein quebrou o silêncio sobre a violência que alega ter vivido durante anos ao lado do marido José Castelo Branco. A socialite deu o seu depoimento, por videoconferência a partir dos Estados Unidos, esta terça-feira, 29 de setembro, no âmbito do julgamento por violência doméstica contra o marchand d'art português feito pelo Tribunal de Cascais. 

Segundo o Correio da Manhã, a juíza pediu ao socialite que desligasse a câmara e o som do seu computador para que a mulher conseguisse dar o seu depoimento de forma mais livre.

Recorde-se que Castelo Branco assistiu a tudo também por videoconferência visto que está a viver nos Estados Unidos. 

Betty Grafstein, de 97 anos, está internada numa clínica em Nova Iorque, acamada e quase cega, referiu o seu filho, Roger Basile. Mesmo assim, a antiga empresária conseguiu relatar alguns episódios de violência doméstica que viveu ao lado do marido durante 30 anos. 

"A relação era muito complicada e conturbada, foi sempre complicada. Eu nunca sabia o que ia acontecer", afirmou.

A magistrada quis perceber mais detalhes sobre a relação dos dois, nomeadamente se tinham existido "agressões", refere o CM. 

"Oh meu deus. Ele agredia-me tantas vezes [...] Socos, fui esmurrada", disse também.

"Eu nunca sabia onde é que ele me ia atingir", referiu, acrescentando que era "em todo o lado, com tanta frequência, tantas vezes" e "principalmente murros". 

Apesar de Betty esclarecer à juíza que "há coisas que não se lembra", como por exemplo "o que fez na semana passada", algumas agressões estão presentes na sua memória. A joalheira recorda que o marido a "obrigou" a calçar "sapatos que lhe magoavam os pés". 

"Eu queixava-me. Ele não ficava muito contente com isso. Ele forçava-me e era violento. Era aí que ele me empurrava, muito chateado, deixava de ser simpático", esclareceu Betty, tal como se pode ler na publicação. 

Para além disso, a socialite revelou que o marido "escolhia a sua dieta e queria que ela estivesse sempre magra". 

Betty fez questão de dizer novamente que sofria muitas agressões por parte do marido, mas menciona que "não se recorda" do alegado empurrão que a levou ao hospital da CUF em Cascais, em abril de 2024. 

"Não me recordo. Não me lembro de nada do que me pergunta", disse Betty, acrescentando, no entanto, que o marido "é um homem muito complicado e mau". "Eu nunca conheci ninguém tão mau neste mundo", referiu a socialite citada pelo CM. 

"[Ele] é um maníaco, a pessoa mais malvada que poderão encontrar na vossa vida", acrescentou Betty, citada pelo Jornal de Notícias, dizendo ainda que teve "medo que ele a matasse". 

Roger Basile esclareceu que notava que a mãe "estava sempre muito cuidadosa perto do marido". O empresário disse ainda que "José tinha vergonha que a mãe andasse com um andarilho" e que "a obrigava a andar" sem esse apoio. 

Segundo o JN, Roger assumiu que, durante o primeiro ano de casamento dos dois, recebeu uma informação de um amigo sobre o facto da mãe poder ter sido magoada. Roger explicou que encontrou a mãe com nódoas negras nas costas e que esta tinha também uma marca grande no pescoço que teria sido provocada por um fio com que o socialite a teria levantado do chão.

De acordo com o Correio da Manhã, foi ouvida ainda Marcela, amiga de Betty, que contou que presenciou várias agressões de Castelo Branco à mulher, entre março e abril de 2024. 

A próxima sessão do julgamento acontece dia 6 de outubro. 

O socialite foi acusado em novembro de 2024 pelo MP de violência doméstica agravada por "agredir física e verbalmente" a mulher, Betty Grafstein, desde o início do casamento, celebrado em 1996.

A denúncia terá partido de profissionais médicos do Hospital CUF de Cascais, onde Betty Grafstein foi internada com uma fratura no fémur e ferimentos no braço esquerdo. Terá sido a antiga joalheira a relatar aos profissionais de saúde que foi empurrada pelo marido.