Em três semanas de junho e julho de 2024, a Alemanha vendeu 49.858 bitcoins apreendidos, à média de US$ 57,9 mil cada, e arrecadou US$ 2,89 bilhões [1]. Um ano depois, com o bitcoin acima de US$ 115 mil, a imprensa fez a conta do prejuízo: mais de US$ 3 bilhõ…
Em três semanas de junho e julho de 2024, a Alemanha vendeu 49.858 bitcoins apreendidos, à média de US$ 57,9 mil cada, e arrecadou US$ 2,89 bilhões [1]. Um ano depois, com o bitcoin acima de US$ 115 mil, a imprensa fez a conta do prejuízo: mais de US$ 3 bilhões deixados na mesa. Hoje, com o preço de volta à casa dos US$ 60 mil, a mesma venda parece um acerto. As duas contas provam o mesmo ponto: vender o ativo alheio antes do julgamento não é preservação de valor, é uma aposta. Às vezes ela acerta, às vezes erra. O resultado, bom ou mau, recai sobre o dono do bem, que foi o único que não apostou.
O Brasil acabou de montar a estrutura para repetir o feito. A última peça chegou em 7 de agosto de 2026, com a Resolução BCB nº 584 [2]. A partir de janeiro de 2027, as exchanges, plataformas onde se compra e se guarda criptomoeda, terão de reter por até 24 horas as transferências destinadas ao exterior ou à autocustódia que passem de US$ 10 mil, por operação ou no acumulado do dia. O setor reagiu, e um Projeto de Decreto Legislativo já pede na Câmara a sustação da norma [3].




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