O vício em apostas é consequência da necessidade e, abstratamente, não diverge muito daquele, mais bem aceito, das camadas superiores da pequena burguesia investidora, que se hipnotiza com as subidas e descidas da bolsa, geralmente tomadas como risco e, até mesmo, como risco calculado.

Quando o jogo da zara é terminado,Na amargura, o que perde, só ficando,Os bons lances ensaia contristado.— Dante Alighieri, Divina Comédia, Purgatório, Canto VI, 1-3

Com a crise cada vez mais profunda do capitalismo burocrático, em particular, e do imperialismo que lhe serve de sustentáculo, em geral, a tendência é que os vícios se espalhem ainda mais, que se tornem cada vez mais desavergonhadas as formas de explorá-los, cada vez mais cínicas as contrafações jurídicas apresentadas como sua regulamentação e cada vez mais sangrentas as respostas repressivas aos seus efeitos. O vício cuja discussão está em alta, em razão da Copa do Mundo de Futebol Masculino da FIFA e do recém adquirido estatuto de patrocinador de praticamente todas as competições futebolísticas do Brasil, são as apostas.