Startupi O céu é o limite para o Nubank? Ele acredita que sim Executivos do banco apresentaram possibilidades de triplicar o tamanho do negócio no Brasil, além de avaliarem que a operação no México pode se tornar tão grande quanto a brasileira nos próximos a…
O banco já tem 135,2 milhões de clientes no total, incluindo mais de 15 milhões no México, mas ainda há espaço para crescer. Em 2026, anunciou investimento de cerca de R$ 45 bilhões no mercado brasileiro, duas vezes mais do que há dois anos, em quatro frentes: desenvolvimento de plataformas de crédito com IA, lançamento de novos produtos, expansão de escritórios e equipes, e reforço de capital.
A mensagem que fica para as startups: escalar não é só crescer, é também mudar de jogo. E o que funcionou para conquistar os primeiros 10 milhões de clientes pode não funcionar para os próximos 100 milhões.
O desafio de crescer a partir de uma base gigantesca coloca o Nubank frente a frente com o poder de fogo dos grandes bancos tradicionais no Brasil. Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa ainda dominam com estruturas consolidadas, redes de agências extensas e portfólios complexos.
Para as startups, fica a mensagem de que incumbentes têm vantagens estruturais — décadas de relacionamento, acesso a captação de baixo custo, poder de lobbying. Mas também têm baixa capacidade de se mover. Sua vantagem como startup pode ser a velocidade, foco e ausência de legado. Use isso.
O embate entre Nubank e bancos tradicionais é um choque de modelos que reflete transformação em todos os setores.
O modelo digital da empresa se baseia em eficiência operacional extrema, automação, IA e ausência de custos fixos com agências físicas. Apesar disso, o banco anunciou investimento de mais de R$ 2,5 bilhões em cinco anos em escritórios no Brasil, mas esses são espaços corporativos e de inovação, não agências de atendimento.
Em São Paulo, o Nubank vai ocupar dois novos prédios: o Cyrela Corporate, na Rua Oscar Freire (35 mil m², capacidade para mais de 3 mil pessoas), e o Capote 210, um edifício de 20 andares corporativos que se tornará um espaço de inovação com Research Lab. Também serão inaugurados espaços em Campinas, Rio de Janeiro e Belo Horizonte até o segundo semestre de 2026.
E essa dinâmica ecoa em outros setores: varejo (e-commerce vs. lojas físicas), saúde (telemedicina vs. consultas presenciais), educação (cursos online vs. salas de aula) e mobilidade (aplicativos vs. táxis tradicionais).
O banco já tem licença bancária no México e planeja investir US$ 4,2 bilhões na operação até 2030. E após concluir a transformação em banco múltiplo no Brasil, já projeta investimento bilionário para acelerar a expansão internacional.
Vélez destacou na entrevista que os EUA atraem muita atenção, mas quando pensa de onde realmente virá o crescimento nos próximos cinco a dez anos, ele continua nos mercados principais do grupo. Se mudar de ideia, o Nubank anunciou em janeiro que já recebeu aprovação condicional de órgão dos EUA para operar como banco no país.
Outro mercado, a Colômbia, país natal de Vélez, embora seja um mercado menor, serve como prova de que a instituição pode fazer seu modelo funcionar em vários países ao mesmo tempo. Livingston fez questão de garantir que não “negligenciaremos o potencial desse mercado”.
O Nubank aposta que pode continuar crescendo de forma acelerada sem perder a eficiência que o tornou disruptivo. Mas a pergunta que fica é: o modelo digital puro consegue escalar indefinidamente, ou em algum momento será necessário incorporar elementos do modelo físico (agências, consultores presenciais, atendimento híbrido) para conquistar segmentos mais complexos?
Vélez acredita que sim. Livingston também. E o mercado observará, nos próximos trimestres, se o banco digital consegue executar essa ambição sem tropeçar nos desafios de ser grande — regulação, concorrência, gestão de risco e complexidade operacional.
PS: O Nubank divulga seus resultados do segundo trimestre no próximo dia 13, após o fechamento do mercado.




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