Armínio Fraga entra em força-tarefa criada para repensar a comunicação do banco central americano com os mercados globais

Priorizar nos meus resultados Google O Federal Reserve decidiu admitir, ainda que em linguagem de banco central, que tem um problema de comunicação. O banco central mais poderoso do mundo anunciou a criação de cinco forças-tarefa independentes para revisar suas ferramentas de atuação em uma economia global mais volátil, mais fragmentada e mais sensível a cada palavra dita em Washington.

A frente mais simbólica para o mercado brasileiro é a de comunicação. Entre os nomes escolhidos está Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil e fundador da Gávea Investimentos. Ele dividirá a missão com Peter R. Fisher, da Universidade de Washington, e Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra durante a crise financeira de 2008.

Na prática, o Fed está chamando gente de fora para ajudar a resolver um dilema que virou rotina nos últimos anos: como falar com o mercado sem produzir mais ruído do que direção. Cada nuance de comunicado, entrevista ou ata do Fed passou a mexer não apenas com Wall Street, mas também com o dólar, os juros longos e a curva brasileira.

A presença de Armínio dá um sabor especial ao movimento. Não se trata apenas de prestígio internacional. O economista brasileiro carrega no currículo a experiência de ter comandado o BC em um momento em que o Brasil precisou aprender a falar com investidores globais sob pressão, depois da adoção do regime de metas de inflação e em meio a sucessivas crises externas.

Para o Fed, a escolha é um sinal de que a comunicação virou ferramenta de política monetária tão importante quanto a decisão de juros em si. Para Armínio, é uma chancela rara: Washington foi buscar no Brasil alguém que conhece, por experiência própria, o custo de uma mensagem mal calibrada diante de mercados nervosos.