Há dois anos, o tema quase não frequentava a agenda do mercado financeiro. Agora, chega ao principal evento dos bancos e ganha até política nacional
Priorizar nos meus resultados Google Durante anos, a bioeconomia brasileira viveu um paradoxo: o país carregava uma das maiores biodiversidades do planeta, mas o dinheiro passava ao largo dela. Esse quadro começa a mudar. Um dos sinais mais eloquentes apareceu nesta semana justamente onde o mercado financeiro costuma discutir suas próximas apostas: a Febraban Tech.
Na terça-feira, 25, um dos painéis do evento foi inteiramente dedicado à bioeconomia e à biotecnologia, com representantes da Caixa, da Melhoramentos e da KPTL. Para Renato Ramalho, CEO da gestora de venture capital, que investe no setor há mais de duas décadas, a mudança foi rápida. “Não precisamos nem voltar cinco anos. Há dois, esse interesse não existia.”
O movimento vai além do entusiasmo em congressos. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária de 2026 mostra que 87% dos bancos já oferecem produtos ESG aos clientes. Sustentabilidade e responsabilidade social também aparecem entre as estratégias de diferenciação de 40% das instituições. Os números não medem investimentos em bioeconomia especificamente, mas revelam um sistema financeiro muito mais preparado para financiar negócios associados à transição verde do que estava há poucos anos.
Há também um empurrão do poder público. Em abril, o governo lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, com metas para transformar biodiversidade em produção, renda, tecnologia e novos mercados. Entre elas estão aumentar em 20% ao ano o número de contratos do Pronaf B destinados à sociobioeconomia e elevar o valor bruto anual da produção de produtos da sociobiodiversidade dos atuais 4,9 bilhões de reais para 12 bilhões de reais até 2035.
Na indústria farmacêutica, a ambição é ainda mais explícita: elevar de cerca de 0,5% para 5% do faturamento do mercado nacional a participação dos fitoterápicos fabricados no Brasil até 2035. Junto ao lançamento do plano, o Fundo Amazônia anunciou um pacote de 350 milhões de reais para projetos de sociobioeconomia, inovação e ciência na Amazônia Legal.
O Brasil passou décadas celebrando sua biodiversidade como patrimônio ambiental. A novidade é que bancos, fundos e empresas começam a enxergá-la também como ativo econômico. Para quem passou anos tentando convencer investidores de que havia dinheiro a ser feito na floresta, a mudança é considerável: o capital finalmente começou a chegar à conversa.




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