Há erros que custam dinheiro, há erros que dão dores de cabeça e há erros que acabam pendurados na parede da história. Foi isso que aconteceu com uma das ...

Há erros que custam dinheiro, há erros que dão dores de cabeça e há erros que acabam pendurados na parede da história. Foi isso que aconteceu com uma das imagens mais reconhecíveis dos ralis

A história remonta ao Rali de Monte Carlo de 1997, a primeira prova da nova era WRC para a Subaru. A Prodrive, parceira técnica da marca japonesa, preparava a estreia do novo Impreza WRC97 e o designer Peter Stevens tinha imaginado o carro com jantes em cinzento antracite. O plano era modernizar a imagem do modelo de competição e afastá-lo ligeiramente da estética anterior.

Mas quando chegaram as jantes enviadas pela Speedline, fornecedor italiano da equipa, havia um problema muito visível: não eram cinzentas. Eram douradas. Todas douradas. E, com o arranque do rali à porta, já não havia grande margem para resolver o engano.

O detalhe que transformou o erro em lenda veio logo a seguir: a Subaru venceu a prova com Piero Liatti. Depois da vitória, Richards terá ido pedir desculpa ao presidente da Subaru pelo engano e explicar que as jantes iam ser devolvidas para serem pintadas de cinzento. A resposta foi simples: não. A marca já tinha material publicitário feito, a combinação tinha acabado de vencer em Monte Carlo e, a partir daí, as jantes douradas ficavam.

O Carscoops recorda que o Impreza WRC97 acabaria por vencer oito das 14 provas da temporada de 1997, garantindo à Subaru o título de construtores. Colin McRae ficou ainda muito perto do título de pilotos, perdendo por apenas um ponto para Tommi Mäkinen, da Mitsubishi.

A cor dourada, ainda assim, não era completamente estranha ao universo Subaru. O Impreza WRX STI de estrada de 1994 e o Legacy RS de 1993 já tinham usado jantes douradas, numa inspiração ligada às cores do patrocinador State Express 555, presente nos carros de Grupo A. Mas, em 1997, com as novas regras do WRC, a ideia era seguir outro caminho.

Foi o engano da Speedline que impediu esse corte visual. A Subaru podia ter entrado na nova era WRC com jantes cinzentas, mas entrou com douradas, ganhou logo em Monte Carlo e descobriu que, às vezes, a identidade de uma marca não nasce numa reunião de design, mas numa encomenda mal despachada.

Hoje, é quase impossível pensar na Subaru de ralis sem imaginar a carroçaria azul e as jantes douradas. A combinação tornou-se uma assinatura visual, uma memória de infância para muitos fãs dos anos 90 e uma das imagens mais fortes da história do Mundial de Ralis.