Home office só para quem manda? Empresas cobram volta ao escritório, mas executivos trabalham de iate com Starlink.
O timing não é coincidência. A Starlink foi autorizada a operar em veículos em movimento, barcos incluídos, em 2022, e a adesão explodiu: mais de 150 mil embarcações estavam conectadas ao fim de 2025, o dobro do ano anterior, segundo a própria empresa. Do outro lado do mesmo tipo de conexão, uma pesquisa do IWG com mais de 500 CEOs no Reino Unido mostrou que 93% deles já dividem o próprio tempo de trabalho entre diferentes lugares. Só 7% ainda cumprem cinco dias fixos no escritório central.
No topo da pirâmide, a flexibilidade nunca foi questionada. Ninguém fecha contrato de locação de dez anos para forçar o CEO a voltar pra mesa dele. O executivo fecha negócio, acompanha operação e recebe cliente do meio do Atlântico, e isso é tratado como sinal de eficiência. O problema do home office só existe alguns andares abaixo da diretoria.
É essa parte que devia incomodar qualquer empresa que defende o retorno ao presencial em nome da colaboração e da agilidade decisória. Se três dias de escritório por semana são indispensáveis para manter uma equipe alinhada, alguém precisa explicar como o diretor alinha a mesma equipe de dentro de um iate no meio do oceano. Quem manda escolhe onde trabalha. Quem obedece, cumpre os três dias marcados no crachá.
Fontes: comunicado de imprensa da Fibrafort (set/2026); pesquisa IWG com mais de 500 CEOs no Reino Unido; relatório de progresso 2025 da Starlink.
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